Os protestos estudantis se intensificaram na França nesta quinta-feira (01/10), englobando mais escolas de ensino médio e se espalhando para as universidades, com a escalada da violência e operações repressivas que levou à prisão de 1.949 pessoas, a maioria de menores de idade. Segundo o relatório do Ministério do Interior, 1.027 instituições de ensino registraram incidentes, 222 acessos a escolas foram bloqueados e 284 policiais ficaram feridos.
Fontes do Ministério do Interior disseram à imprensa local que o governo Macron considera que os protestos já não se tratam “da expressão legítima das reivindicações dos estudantes do ensino médio”, mas sim de “situação de violência urbana”.
Por outro lado, o analista Christian Rodríguez denunciou a violência perpetrada pelas forças de segurança contra os manifestantes. Ele observou que aproximadamente 90% dos detidos são menores que foram “brutalmente reprimidos pela polícia de Macron”, sendo vítimas de espancamentos, gás lacrimogêneo, balas de borracha e granadas de efeito moral.
Os protestos, que começaram há uma semana para denunciar a escassez de professores e exigir melhores condições nas escolas, intensificaram-se e resultaram em cenas de violência urbana em cidades como Lyon, Lille, Marselha e Pantin (nos arredores de Paris), com incidentes que incluíram a queima de contêineres de lixo e confrontos com as forças de segurança. Em Nantes, uma das escolas secundárias foi incendiada.
🔴🇫🇷 VEAN estas imágenes
– 640 liceos y 30 universidades bloqueados
– 1.793 detenidos (90% son menores de edad)
– 119 alumnos y miembros del personal heridosEs el balance provisional de la extraordinaria movilización de los liceanos (14-18 años) y estudiantes en Francia,… pic.twitter.com/21K0SSAh7E
— Christian Rodriguez (@ChrisRodrigAl) October 1, 2026
Diante da escalada dos protestos, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou um gabinete de crise e pediu a seus ministros que não viajassem nos próximos dias, para que os prefeitos pudessem estar disponíveis para gerenciar a situação em cada localidade.
Além disso, o Ministro da Justiça, Gérald Darmanin, convocou uma videoconferência com os 36 procuradores-gerais do país para tratar dos bloqueios de estradas e da escalada da violência nos protestos. Vazou para a imprensa que, durante essa reunião, Darmanin solicitou uma “resposta criminal firme”.
Nesta sexta-feira, 2 de outubro , o governo francês ordenou o fechamento preventivo de aproximadamente 400 escolas em todo o país, obrigando os alunos a assistirem às aulas remotamente. Enquanto isso, o Ministro da Educação, Édouard Geffray, se reunirá com representantes de grêmios estudantis, pais, professores e outros membros da comunidade escolar para tentar chegar a acordos concretos e amenizar a situação.
O governo apontou o bloco de esquerda La France Insoumise (LFI, partido de Jean-Luc Mélenchon) e outros grupos afiliados como responsáveis pela mobilização. Essa alegação foi refutada tanto pelo partido de Mélenchon, cujo líder é candidato às eleições presidenciais de 2027, quanto pela principal central estudantil, a Union Syndicale Lycéenne (USL).
“Isso me faz rir um pouco”, disse Philémon Jouglet Marcus, representante federal da USL, à imprensa, acrescentando que o governo infantiliza os estudantes quando afirma que eles não são responsáveis por seus próprios protestos.
Mélenchon, por sua vez, havia expressado seu apoio aos manifestantes, que atraíram críticas tanto do governo quanto de outros candidatos à presidência. Nesta quinta-feira, em um evento durante o festival conhecido como Festival da Humanidade, o líder de esquerda celebrou a mobilização sem precedentes, nunca vista em quatro décadas. No entanto, ele pediu “disciplina”, alertando que imagens de contêineres em chamas “só servem ao adversário”.
A mobilização estudantil, que exige melhores condições de ensino, o fim da eliminação de vagas nas universidades e o fim dos cortes nas bolsas de estudo, começou na semana passada na região de Paris e vem se espalhando por todo o país.