Greve geral: Portugal vai às ruas contra reforma trabalhista do premiê Luís Montenegro
Manifestantes exigem que presidente socialista António José Seguro, eleito em março deste ano, vete integralmente pacote laboral apresentado pelo premiê de direita
Trabalhadores de diversos setores de Portugal iniciaram à meia-noite desta quarta-feira (03/06) uma greve geral de 24 horas contra a reforma trabalhista do primeiro-ministro Luís Montenegro. A paralisação foi convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-IN).
A proposta reformula a legislação laboral no país, incluindo mais de 100 alterações no Código de Trabalho. Ela foi apresentada pelo governo do premiê de direita em 24 de julho de 2025 e aprovada em meados deste mês.
Os sindicatos exigem que o presidente socialista António José Seguro, eleito em março deste ano, vete integralmente o pacote laboral do primeiro-ministro. Eles exigem uma política de desenvolvimento que responda aos problemas sociais e econômicos do país.
A greve abrange trabalhadores dos setores público e privado em todo o território nacional. Segundo a CGTP, as medidas representam um ataque aos direitos conquistados pelos trabalhadores e uma afronta à Constituição portuguesa.

Portugal vai às ruas contra reforma trabalhista do premiê Luís Montenegro
@CGTP_IN
Em nota, a CGTP declarou que a greve geral é “de todos e para todos os trabalhadores”, classificando-a como uma luta “pelas novas gerações e por um Portugal com futuro”.
A adesão à paralisação foi considerada expressiva, especialmente nos setores de transportes, indústria, saúde, educação, comércio e hotelaria. Oito sindicatos filiados à União Geral dos Trabalhadores (UGT), segunda maior central sindical do país, aderiram ao movimento.
Precarização
Entre os principais pontos contestados da reforma estão medidas que visam facilitar demissões sem justa causa e ampliar a precarização do trabalho. Entre elas, a reintrodução de um banco de horas individual, favorecendo jornadas mais extensas sem a devida compensação aos empregados.
Os sindicatos também acusam o enfraquecimento de direitos historicamente conquistados pelas famílias trabalhadoras. Eles também denunciam ataques à contratação coletiva, à liberdade sindical e ao direito de greve.
Entre os pontos mais criticados estão a possibilidade de suspensão ou modificação de contratos coletivos em situações classificadas como “crise empresarial”, mudanças no horário do trabalho noturno e flexibilização de direitos de pais e mães trabalhadoras.
Os sindicalistas afirmam que a reforma trabalhista irá aumentar o custo de vida, reivindicando do governo o controle dos preços de bens essenciais, aumento geral dos salários e valorização dos serviços públicos.
























