Itália e Reino Unido declaram que não alcançarão meta de 5% do PIB em gastos militares
Espanha, Eslovênia e outros países do bloco europeu também não cumprirão decisão estabelecida, sob pressão de Washington, na cúpula da OTAN em Haia, no ano passado
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia exigido dos países aliados da União Europeia (UE), que dobrassem seus gastos militares, atingindo 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje (30/06), no entanto, a Itália e o Reino Unido informaram que não atenderão a essa exigência.
Diante das ameaças de Trump e do fato de que a defesa europeia – em meio à guerra na Ucrânia – depende do Pentágono, os países aliados da Europa comprometeram-se em atingir a porcentagem de gastos, com exceção da Espanha.
Madrid, no entanto, não está sozinha: a Itália e o Reino Unido admitiram que não atingirão a meta de gastos militares de 5%, enquanto países como a Eslovênia, a Hungria e a República Tcheca parecem não ter intenção de investir mais do que 2% do seu PIB em defesa.
O governo de Pedro Sánchez não se comprometeu com o valor, embora tenha assinado um acordo prometendo alcançar as mesmas capacidades militares que os demais aliados, gastando muito menos.
O acordo para aumentar os gastos militares foi selado na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de 2025, em Haia; no entanto, a pressão de Trump e do secretário-geral do bloco, Mark Rutte, não cessou.
Durante o encontro em Washington, os dois políticos voltaram a criticar a Espanha. O Secretário-Geral da OTAN, contudo, reiterou a sua confiança de que a Espanha atingiria suas metas de capacidade militar, sem precisar alocar pelo menos 5% do seu PIB em defesa, gastando pouco mais de 2%, conforme o compromisso assumido.

Itália e Reino Unido declaram que não atingirão meta proposta por Mark Rutte de 5% do PIB em gastos militares
OTAN
Abaixo de 5%
Londres prometeu atingir 5% [do PIB], mas atualmente está em apenas 2,6%, uma taxa ligeiramente superior à da Espanha. O atual governo trabalhista está comprometido em atingir apenas 3% neste mandato e não tem um plano para cumprir a meta da OTAN para 2035.
O país admitiu isso abertamente em meio à renúncia do então Ministro da Defesa britânico, John Healey, em parte devido à falta de financiamento para o Exército. Em carta, Healey afirmou que seu governo não tinha um “plano” para atingir os 5%, e criticou o Tesouro por impor um limite de gastos que o impedia de atingir as porcentagens exigidas pela OTAN.
Já o Ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, afirmou que o Reino Unido não é o único aliado europeu que enfrenta problemas de financiamento para o “grande rearmamento da Europa”. Membro do governo de extrema-direita liderado por Giorgia Meloni, ele disse que “compartilhava plenamente das preocupações e reflexões de Healey” e que seu país também enfrenta um problema de investimento.
Existem outros países, como a Eslovênia, que estão se juntando à pequena revolução dentro da OTAN contra os gastos militares exigidos por Trump. A aliança atlântica chegou a enviar ao país uma carta exigindo explicações, alegando que os gastos com defesa do país representaram 2% do PIB, “em grande parte devido à inclusão de projetos que não se enquadram na definição acordada de gastos básicos com defesa”.
























