Justiça da Itália aprova extradição de Carla Zambelli ao Brasil
Caso governo italiano autorize decisão judicial, ex-deputada bolsonarista, condenada a 15 anos de prisão em dois processos do STF, poderá voltar ao país nas próximas semanas
A Justiça da Itália acatou o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL), em uma decisão notificada ao governo brasileiro nesta quinta-feira (26/03). Caso a extradição chegue à última instância e seja autorizada pelo Ministério da Justiça italiana, a parlamentar bolsonarista poderá retornar ao Brasil nas próximas semanas, onde deverá cumprir pena na “Colmeia”, a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, em Brasília.
“Manifestamos nossa satisfação com a minuciosa reconstrução das inúmeras questões jurídicas feita pela Corte de Apelação e, sobretudo, com a confirmação da absoluta legalidade do processo no Brasil contra Zambelli”, disse Alessandro Gentiloni, advogado que representa o Brasil no processo.
A medida, contudo, não tem efeito imediato. Cabe ainda recurso da defesa antes de ser levado à decisão final do governo italiano, ou seja, depende do aval do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.
Desde 29 de julho de 2025, a ex-deputada federal Carla Zambelli, aliada do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, está presa na penitenciária de Rebibbia, em Roma., que abriga mulheres em regimes de segurança média e alta. Ela está condenada a mais de 15 anos de prisão em dois processos reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O primeiro processo é referente à invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023. Zambelli, que possui cidadania italiana, fugiu para Roma, passando anteriormente pela Argentina e pelos Estados Unidos. Colocada na lista vermelha da Interpol, ela foi detida pelas forças europeias e a sua prisão foi confirmada em julho passado.

Carla Zambelli foi capturada na Itália em julho de 2025, enquanto se encontrava na condição de foragida da Justiça brasileira
Lula Marques / Agência Brasil
De acordo com as investigações, Zambelli foi a autora intelectual da invasão ao sistema do CNJ, para emissão de um mandato falso de prisão contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo as apurações, o hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado e confirmou ter realizado o trabalho a mando da então parlamentar.
Em agosto de 2025, o STF condenou novamente a ex-deputada, pelo episódio em que ela sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. A perseguição começou após Zambelli e Luan trocarem provocações durante um ato político no bairro dos Jardins, em São Paulo.
Por 9 votos a 2, o Supremo definiu a pena de cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.
(*) Com Ansa
























