Segunda-feira, 13 de julho de 2026
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A Europa não pode “terceirizar” a defesa e a segurança do continente para os Estados Unidos por meio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), como fez durante décadas, afirmam a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em artigo publicado neste domingo (05/07) na revista The Economist.

“Com o tempo, muitos na Europa se acostumaram com essa situação e com a terceirização de grande parte das capacidades de defesa e segurança do continente. A dura realidade e os perigos do mundo atual puseram fim a essa forma de pensar”, enfatizam.

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Segundo ambos os políticos, “a era em que a Europa delegava grande parte da sua defesa chegou ao fim”. Os membros da OTAN no continente estão se rearmando, enquanto aumentam as despesas com a defesa e a produção de armas. Novas fábricas estão abrindo e as existentes expandindo seus turnos e linhas de produção, observaram.

“Drones, veículos terrestres não tripulados, sistemas de guerra eletrônica… Todos eles são necessários”, disseram, explicando o aumento do armamento por razões de defesa.

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“A mentalidade mudou. Até mesmo as montadoras de carros civis estão convertendo suas instalações para produzir componentes para o setor de defesa, incluindo sistemas de defesa aérea e drones de longo alcance”, acrescentaram, referindo-se ao foco tecnológico no desenvolvimento de armamentos “exigido pela guerra moderna” para os países europeus que fazem parte da aliança.

Líder da OTAN diz que Europa não pode ‘terceirizar’ sua defesa para Washington
OTAN

No texto, Von der Leyen e Rutte sustentam que os membros da União Europeia e seus aliados da OTAN precisam de mais caças, aeronaves de reabastecimento aéreo, navios e submarinos, sistemas de defesa aérea e antimíssil, drones e sistemas antidrone. A escassez, mais aguda em interceptores e sistemas de defesa contra drones, deve-se aos carregamentos de armas para a Ucrânia e países envolvidos na guerra do Oriente Médio contra o Irã.

“Nossa capacidade de produção atual não é suficiente para atender à demanda”, acrescentam.

Segundo um relatório do Instituto de Kiel, com sede na Alemanha, as nações europeias permanecem “estrategicamente dependentes dos Estados Unidos em toda a cadeia de operações militares”. O relatório acrescenta que elas não possuem capacidade logística própria para sustentar um conflito e, portanto, dependem do “sistema operacional” do Pentágono, que inclui inteligência, satélites de vigilância e defesa aérea.

Segundo o artigo, os planos atuais de Washington se enquadram em um esquema chamado “OTAN 3.0”. De acordo com essa estratégia, exige-se que as nações europeias aumentem seus gastos militares e assumam a liderança em sua própria defesa em caso de um conflito convencional, enquanto os Estados Unidos se limitariam a fornecer apenas um guarda-chuva nuclear.

Críticas severas a Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insiste que os países da OTAN aumentem seus gastos militares, argumentando que Washington investe ” bilhões e bilhões de dólares a mais” do que as nações europeias, apesar do Oceano Atlântico separar os Estados Unidos daquilo que o bloco considera suas ameaças imediatas. Ele exige, portanto, que todos os aliados elevem suas contribuições para 5% do PIB até 2035.

Na quinta-feira, Trump criticou os gastos militares da Alemanha e de outros aliados, como o Reino Unido, a França e a Itália, argumentando que Washington gasta “muito” mais do que qualquer outro membro da OTAN. “É ridículo os EUA continuarem nesse caminho unilateral quando a relação não é recíproca! Eles não estiveram lá por nós!”, comentou.

Moscou tem insistido repetidamente que o fluxo de armamento ocidental para a Ucrânia não alterará o equilíbrio estratégico no campo de batalha. Além disso, a Rússia tem sido clara em seus alertas: quaisquer armas de origem ocidental fornecidas ao regime de Kiev serão consideradas um alvo legítimo para suas forças militares. O país euroasiático tem denunciado repetidamente o fato de que muitas armas fornecidas pelo Ocidente à Ucrânia acabam nas mãos de grupos criminosos no exterior.