Durante uma entrevista concedida à emissora alemã ZDF neste domingo (06/09), a apresentadora Marietta Slomka tentou questionar diversas vezes Ulrich Siegmund, líder do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) que venceu a eleição estadual em Saxônia-Anhalt, sobre os processos envolvendo a governabilidade.
As projeções da noite de domingo confirmavam que a AfD obteve 44,5% dos votos no estado da Saxônia-Anhalt, mais que o dobro dos 20,8% registrados em 2021. Se confirmado, o resultado estabelece o melhor desempenho da sigla em uma eleição estadual no país. Por sua vez, a União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, ficou com apenas 17%.
“O que sempre dissemos é que não abriremos mão de nossos princípios e valores por jogadas de poder, como muitos partidos vêm fazendo há anos”, afirmou o político, antes de ser interpelado pela âncora.
Slomka questionou como e de que maneira Siegmund “queria maioria absoluta e um governo estável”, uma vez que o político havia condicionado sua candidatura ao cargo de primeiro-ministro estadual à conquista de uma maioria absoluta da AfD. O partido pretende governar sozinho e enfrenta a resistência das demais siglas, que mantêm a chamada Brandmauer, a barreira política contra acordos de governo com a extrema direita.
“Preciso me repetir”, respondeu Siegmund, que retomou narrativa usada durante a sua campanha nas redes sociais, reforçando que não pretende ser como os “partidos tradicionais” que, segundo ele, “prometem uma coisa antes da eleição e fazem exatamente o contrário depois”.
“Sempre dissemos que, como democratas, é preciso estender a mão caso haja outra força democrática, sejam elas, aliás, partidos ou deputados individuais”, acrescentou o político, que havia prometido não fazer coalizões, governando com uma “maioria segura”.

A âncora perguntou a maneira como Siegmund planeja “implementar isso”.
“Bem, preciso me repetir: queremos deixar bem claro que, após a eleição, o eleitor recebe aquilo que escolheu. Uma parcela muito, muito significativa, mais de 44%, votou pela mudança política, por uma política voltada novamente para o nosso próprio país, para o nosso próprio povo, não para salvar o mundo”, respondeu o líder ultraconservador, driblando o questionamento.
No plano externo, Siegmund e a AfD defendem uma reaproximação com a Rússia, tendo em vista a retomada do fornecimento de gás natural e o fim do engajamento alemão na guerra da Ucrânia. “A guerra é da Ucrânia, não da Alemanha”, afirmou ele em diversas ocasiões, prometendo conversar com os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, para “trazer Moscou de volta à mesa” .
Quando a apresentadora da ZDF lembrou que sua alçada é estadual, não federal, o político respondeu sem hesitar: “Se a AfD mantiver seus números até 2029, essa reflexão terá que ser feita”.
“Amanhã, depois de amanhã, saberemos mais. De qualquer forma, já fizemos história. O povo da Saxônia-Anhalt mostrou que as coisas não podem continuar assim e que não vão continuar assim”, afirmou.