Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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O chanceler alemão Friedrich Merz elevou o tom contra o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nesta quarta-feira (09/09), ao classificar como “limpeza étnica” a política de “remigração” defendida pela legenda. A declaração ocorreu durante um acalorado debate no Bundestag, dois dias após o AfD conquistar uma vitória expressiva nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt.

“O termo ‘remigração’ nada mais é do que um sinônimo de limpeza étnica baseada na origem e na cor da pele”, afirmou Merz, sob aplausos de parlamentares de outros partidos. Integrantes do AfD interromperam repetidamente o discurso com vaias e insultos.

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Segundo o chanceler, uma política de deportações em larga escala colocaria em risco setores fundamentais da economia alemã, que dependem da mão de obra de imigrantes. Ele citou como exemplos hospitais, casas de repouso e restaurantes.

“Se aqueles que trabalham na Alemanha tiverem que deixar o país novamente porque vocês estão defendendo a ‘remigração’”, afirmou, “então as profissões especializadas na Alemanha não poderão mais funcionar: nenhum lar de idosos permanecerá aberto, nenhum hospital na Alemanha permanecerá operacional e nenhum restaurante na Alemanha conseguirá se manter em funcionamento.”

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O avanço eleitoral do AfD na Saxônia-Anhalt representou o melhor resultado de um partido de extrema-direita em um estado alemão desde o período nazista. Para Merz, a retórica da legenda é justamente um dos fatores que aprofundam as divisões na sociedade alemã.

O AfD defende há anos uma ampliação das expulsões de migrantes, especialmente daqueles que não possuem autorização permanente de residência. A implementação de uma política dessa natureza, porém, enfrentaria obstáculos jurídicos e fortes contestações com base na legislação alemã.

Friedrich Merz, chanceler da Alemanha e líder da União Democrata-Cristã (CDU)
Friedrich Merz, chanceler da Alemanha e líder da União Democrata-Cristã (CDU)
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 Pressão sobre governo Merz

A vitória estadual também recebeu o apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em uma publicação na plataforma Truth Social, Trump  celebrou o resultado do AfD e criticou as políticas migratórias alemãs.

“Eles finalmente se cansaram das regras e regulamentos de imigração absolutamente horríveis que prejudicaram tanto a Alemanha”, escreveu Trump, ao classificar o resultado como uma “grande noite” para o partido.

A manifestação provocou uma reação de Merz. Uma ligação telefônica entre o chanceler alemão e Trump, prevista para esta quarta, acabou sendo cancelada. O porta-voz de Merz, Stefan Kornelius, não explicou o motivo da decisão, mas afirmou que o chanceler se opõe, de maneira geral, à interferência ou a comentários sobre a política interna alemã, especialmente durante períodos eleitorais.

O crescimento do AfD ocorre em um momento de desgaste do governo de Merz. O chanceler, um democrata-cristão conservador, enfrenta queda de apoio após 16 meses no cargo, em meio à insatisfação com o baixo crescimento econômico e o aumento do custo de vida. Sua coalizão com os social-democratas de centro-esquerda também enfrenta dificuldades para apresentar resultados.

Na tentativa de conter o avanço da extrema-direita, Merz adotou uma postura mais rígida em relação à imigração e às fronteiras. Ao mesmo tempo, procura diferenciar sua política da defendida pelo AfD.

“Temos muitas pessoas na Alemanha que não deveriam ter residência permanente. Há consenso na coalizão de que precisamos deportar mais pessoas”, disse o chanceler.

No entanto, Merz ressaltou que seu governo pretende separar os casos de migrantes que trabalham e contribuem para a economia daqueles que não têm direito à permanência no país.

“Fazemos uma distinção cuidadosa entre aqueles que trabalham na Alemanha, que contribuem para a nossa prosperidade e que são bem-vindos aqui, e aqueles que não têm residência permanente na Alemanha e que devem deixar o nosso país. Ao contrário de vocês [do AfD], temos muito cuidado em fazer essa distinção”, afirmou

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