Terça-feira, 3 de março de 2026
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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que Moscou não pretende iniciar ações militares contra os países da União Europeia (UE) ou da Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN), mas que reagirá, de forma ampla, caso seja alvo de agressão.

A posição foi reiterada em duas entrevistas. “Não temos intenção de atacar a Europa, não há motivo para isso”, afirmou Lavrov à emissora turca NTV, na noite deste domingo (08/02), acrescentando que qualquer passo hostil do bloco teria uma resposta proporcional do Kremlin.

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“Se a Europa agir sobre suas ameaças de se preparar para a guerra contra nós e iniciar um ataque à Federação Russa, enfrentará uma resposta militar completa do nosso lado, com todas as capacidades militares disponíveis”, disse.

Já, à TV BRICS, nesta segunda-feira (09/02), ele avaliou que a OTAN e a UE estão “chegando ao fim do seu ciclo de vida”.

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“Todas essas organizações: a OTAN, com suas promessas quebradas de não se expandir para o leste, inclusive para a União Soviética; e a União Europeia, que destruiu toda a rica infraestrutura de cooperação com o nosso país, e ainda mais a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), que se submeteu completamente às ações unilaterais do Ocidente e se esqueceu do princípio fundamental do consenso, do acordo de todos os seus membros, estão chegando ao fim de seu ciclo de vida”, afirmou.

Guerra na Ucrânia

Lavrov atribuiu ao bloco europeu a tentativa de sabotar iniciativas diplomáticas patrocinadas pelos Estados Unidos na Ucrânia, e disse que a Rússia rejeitará a instalação de armas em Kiev que possam ameaçar a segurança de Moscou. “Sem dúvida alguma, salvaguardaremos nossos interesses de segurança, impedindo a instalação em território ucraniano de quaisquer armas que representem uma ameaça para nós”, afirmou.

Segundo o chanceler, os países ocidentais inventaram uma “frota paralela” e estão tentando deter embarcações “em alto-mar, mediante o uso da força”, na luta pela supremacia marítima. “A segurança também exige impedir a continuidade da existência em nossas fronteiras de um estado nazista criado pelo Ocidente a partir da Ucrânia e usado mais uma vez para travar guerra contra a Rússia”, complementou.

Ele também criticou o governo Trump em relação à Ucrânia. Ao mencionar o aceite de Moscou das propostas de paz para o enclave, em Anchorage, ele salientou o endurecimento das restrições do governo Trump. “Novas sanções foram impostas, uma ‘guerra’ foi desencadeada contra petroleiros offshore, o que é uma violação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar”, disse.

Moscou não pretende atacar a Europa, mas irá retaliar em caso de agressão, afirma chanceler
UN Geneva/Flickr

Críticas aos Estados Unidos

Ele também fez fortes críticas às medidas coercitivas dos Estados Unidos em sua busca por obter o “domínio econômico do mundo”.  Segundo Lavrov, este objetivo “é alcançado por meio do uso de um grande número de medidas coercitivas que não se encaixam na competição justa. Tarifas, sanções, proibições diretas, alguns são proibidos de se comunicar… Somos obrigados a levar tudo isso em consideração”.

Ele citou as pressões de Washington para reconfigurar mercados consumidores: “eles estão tentando proibir a Índia e outros de nossos parceiros de comprarem combustíveis russos baratos e acessíveis (na Europa já proibiram isso há muito tempo) e forçando-os a comprar gás natural liquefeito norte-americano por um preço três vezes maior”, denunciou.

Lavrov reiterou que a Rússia continua aberta à cooperação com os Estados Unidos, mas afirmou que os próprios norte-americanos “criam obstáculos artificiais” para isso. Ele mencionou que o governo Trump não apenas contestou as leis promulgadas por seu antecessor, Joe Biden, “para punir a Rússia”, como também impôs sanções adicionais. O cerne das sanções “é o congelamento de nossas reservas de ouro e moeda estrangeira”, acrescentou.

BRICS

O chanceler afirmou que Moscou não busca rejeitar o uso do dólar americano. Ele também denunciou “métodos desleais” como a proibição de comercialização de países com as petrolíferas russas, como a Lukoil e a Rosneft, e  a tentativa de Washington de controlar “laços técnico-militares da Rússia com importantes parceiros estratégicos”, como a Índia e outros membros do BRICS.

Sobre o bloco, o chanceler afirmou que o BRICS “fornece, na prática, uma estrutura abrangente para a integração entre os continentes”. Disse, também, que a Rússia não defende a abolição do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (BM) ou da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas busca reformar essas instituições para que os países do BRICS possam “receber votos e direitos proporcionais em todas as instituições de Bretton Woods, compatíveis com seu peso real na economia global, no comércio e na logística”.

E reiterou que as iniciativas apresentadas pelo bloco, inclusive as relativas a pagamentos e investimentos, não visam contrariar os Estados Unidos, mas sim estabelecer mecanismos independentes do rígido controle imposto  pelo país.