Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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A oposição de direita na Espanha previu nesta segunda-feira (22/12) “o declínio irreversível” do governo de esquerda do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, após a derrota do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) em uma eleição regional.

Na disputa, muito aguardada na Estremadura (oeste do país), em um momento em que o PSOE é atingido por múltiplos escândalos judiciais envolvendo corrupção e casos de assédio sexual, o Partido Popular (PP, conservador) obteve mais de 43% dos votos, contra menos de 26% para os socialistas, que perderam cerca de 15 pontos e 10 cadeiras em relação a 2023 (de 28 para 18).

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Mas a vitória do PP não foi completa: o partido elegeu apenas 29 deputados, um a mais do que há dois anos, e não conseguiu alcançar a maioria absoluta de 33 cadeiras, que era seu objetivo declarado. O PP continuará dependendo da formação de extrema direita Vox para governar a Estremadura, o que indica negociações difíceis e tensas.

Terceira força política no cenário nacional, o Vox estará ainda menos disposto a ceder, já que obteve no domingo uma ascensão espetacular na Estremadura, passando de 5 para 11 cadeiras, com quase 17% dos votos. Um avanço que reflete a tendência da extrema direita em outros países europeus.

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“Declínio irreversível”

O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, referiu-se a essa realidade ao pedir ao Vox que não perca de vista que “o adversário não é o Partido Popular, mas o governo de Sánchez”.

“O declínio irreversível do Partido Socialista está apenas começando”, declarou Feijóo em um discurso na sede do partido em Madri.

Ele afirmou que essa “vitória incontestável” da direita na Estremadura “se repetirá” nas outras três eleições regionais previstas para o primeiro semestre do próximo ano: em Aragón (nordeste), Castilla y Leon (norte de Madri) e Andaluzia (sul).

Pedro Sánchez não comentou publicamente a derrota
European Parliament

A votação na Estremadura “desencadeou um efeito dominó que não vai parar”, acrescentou, proclamando que “a mudança da Espanha está em marcha”.

Por sua vez, o líder nacional do Vox, Santiago Abascal, que fez uma campanha intensa na Estremadura, advertiu o Partido Popular que “a bola está no campo de María Guardiola”, presidente regional do PP e candidata à reeleição.

Ele, no entanto, se recusou a detalhar quais condições imporia ao PP para firmar um acordo de governo. Guardiola havia convocado eleições antecipadas justamente para conquistar a maioria absoluta no Parlamento e não depender mais do Vox.

“Gritar contra o lobo” da extrema direita

Abalado por vários escândalos judiciais envolvendo seu entorno e casos de assédio sexual dentro do Partido Socialista, Pedro Sánchez não comentou publicamente a derrota, anunciando nesta segunda-feira apenas a nomeação de uma nova ministra da Educação e uma nova porta-voz do governo.

Na semana passada, o líder socialista descartou convocar eleições legislativas antecipadas ou realizar uma reforma completa no Executivo, preferindo ganhar tempo.

Mas essa estratégia irrita cada vez mais o parceiro dos socialistas na coalizão minoritária no poder, o Sumar (esquerda radical).

A porta-voz do Sumar, Lara Hernández, afirmou nesta segunda-feira que, diante da ascensão do Vox, “gritar contra o lobo não adianta”, exigindo de Sánchez “uma ofensiva política, social e cultural” para conter a extrema direita.

“Alimentando tanto o medo do Vox para frear o Partido Popular, os socialistas conseguiram fortalecer tanto o Vox quanto o Partido Popular”, ironizou Feijóo, chamando isso de “um grande sucesso socialista”.