Domingo, 8 de fevereiro de 2026
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A pressão política sobre a monarquia britânica se intensificou após a divulgação de um novo e volumoso conjunto de documentos ligados ao criminoso sexual e financista Jeffrey Epstein. Parte central das novas revelações envolve mensagens atribuídas a contas identificadas como “O Duque” e “O Homem Invisível”, que os investigadores afirmam pertencer a Andrew Mountbatten-Windsor, o irmão do rei Charles III, destituído dos títulos de nobreza após o escândalo vir à tona.

As revelações reacenderam cobranças para que o rei Charles III e outros membros da família real expliquem o que sabiam sobre as ligações do então príncipe com o abusador condenado. Nenhum documento cita diretamente o rei britânico ou o príncipe William, tampouco evidenciam que ambos sabiam de algo.

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No entanto, o grupo anti-monarquista britânico Republic exige um “Inquérito Real sobre Epstein”, para examinar não apenas ações individuais, mas também eventuais falhas institucionais no tratamento do escândalo. A organização afirma ser “inconcebível” que o comportamento do ex-príncipe, “seja criminoso ou não, não tenha sido relatado e discutido nos mais altos escalões do governo, da polícia e do Palácio”.

O Departamento de Justiça norte-americano divulgou documentos relacionados a Epstein, entre eles fotografias que mostram o ex-Duque de York agachado sobre uma jovem não identificada. No fim de semana, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer afirmou que Andrew “deveria estar preparado” para depor perante o Congresso dos Estados Unidos sobre suas ligações com o financista.

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Revelações

E-mails divulgados sugerem contatos do ex-príncipe com Epstein logo após o fim da prisão domiciliar do financista norte-americano, em 2010, quando ele se declarou culpado de solicitar prostituição de menor, em 2008. Epstein cumpriu 13 meses em um programa de trabalho e liberdade condicional na prisão, e ficou em prisão domiciliar por um ano.

Os e-mails incluem discussões sobre encontros com mulheres, convites para jantares privados e até a possibilidade do criminoso sexual ser recebido no Palácio de Buckingham. “Poderíamos jantar no Palácio de Buckingham e ter muita privacidade”, diz uma das mensagens atribuídas ao ex-príncipe. Dias depois, em nova mensagem, ele teria afirmado: “fico muito feliz por você vir aqui para o BP [Palácio de Buckingham]. Venha com quem quiser e estarei aqui livre a partir das 16h00.” Não está claro se a reunião ocorreu.

O ex-Duque de York foi destituído de seus títulos pelo rei Charles III, após a publicação póstuma de um livro de Virginia Giuffre, que afirmou ter sido vítima de tráfico sexual por Epstein e sua então companheira, Ghislaine Maxwell, quando tinha 17 anos. Em 2022, ele pagou milhões de libras à jovem para encerrar um processo civil por agressão sexual, embora não tenha reconhecido a acusação e afirmado nunca tê-la conhecido.

Organização britânica exige ‘inquérito real’ sobre envolvimento de ex-príncipe no caso Epstein
Carfax2 / Wikipedia Commons

Para além do Palácio

Os documentos recém-divulgados também ampliaram o foco para além da família real. Extratos bancários sugerem pagamentos feitos por Epstein ao ex-deputado do Partido Trabalhista britânico Peter Mandelson, quando ele ainda era parlamentar, totalizando US$ 75 mil.

Mandelson disse não se lembrar de ter recebido os valores e declarou à BBC que não sabe se os documentos são autênticos, embora seu nome apareça como beneficiário em diferentes registros.

Outro nome britânico, de destaque, citado nos arquivos é o do empresário Richard Branson, fundador do Virgin Group. E-mails de 2013 mostram Epstein agradecendo a Branson por conselhos de relações públicas após um encontro na Ilha Necker. Em resposta, Branson escreveu: “Caro Jeffrey, foi um prazer vê-lo hoje… Adoraríamos vê-lo sempre que estiver por perto. Contanto que traga seu harém!”.

A equipe do empresário afirmou que o termo fazia referência a mulheres adultas da equipe de Epstein e que Branson jamais teria usado tal linguagem ou mantido contato se conhecesse “todos os fatos”.