Terça-feira, 23 de junho de 2026
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O Papa Leão 14 fez nesta quinta-feira (11/06) um forte apelo contra o tráfico de pessoas e em defesa dos direitos dos migrantes durante visita ao porto de Arguineguín, em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, um dos principais pontos de desembarque da rota migratória do Atlântico.

Após ouvir o relato de uma mulher vítima de tráfico humano, que representou outras sobreviventes, o pontífice reafirmou que a dignidade humana não pode ser negociada. “Toda vida humana é uma bênção. Ninguém pode comprá-la, vendê-la, usá-la ou descartá-la”, declarou.

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Leão 14 ressaltou que as vítimas de exploração continuam sendo vistas por Deus como pessoas de valor inestimável e afirmou que a igreja deseja lembrar a elas que “não são coisas, mas filhas e irmãs”. Segundo o pontífice, a dignidade humana não pode ser retirada por ninguém.

Durante o encontro, o líder da igreja católica também chamou atenção para a crise migratória global. Segundo ele, o fenômeno exige um “exame de consciência” dos países de origem, trânsito e destino dos migrantes, além de alertar que a Europa não pode se acostumar a ver o Mediterrâneo e o Atlântico transformados em “cemitérios sem lápides”.

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O pontífice criticou ainda a abordagem baseada apenas em números e controle de fronteiras. Para ele, cada embarcação que chega ao continente carrega histórias humanas e questionamentos sobre as condições que levam milhares de pessoas a arriscar a própria vida em busca de sobrevivência.

Leão 14 também denunciou a atuação das chamadas “máfias do mar”, organizações criminosas que lucram com o desespero de migrantes, especialmente mulheres e crianças. Segundo ele, essas redes alimentam uma “indústria da morte” ao prometer oportunidades falsas em troca de dinheiro, liberdade e dignidade.

Ao defender políticas migratórias mais humanizadas, o Papa pediu a criação de rotas seguras e legais para migração, além de maior cooperação internacional no combate ao tráfico de pessoas e na proteção das vítimas. Ele destacou ainda que, além do direito de buscar refúgio, as pessoas devem ter condições de permanecer em seus países de origem sem enfrentar fome, guerra, perseguição ou corrupção.

Durante o final do discurso, Leão 14 dirigiu-se diretamente aos migrantes presentes no porto. “Vocês não são números, nem arquivos. Vocês são pessoas com sonhos que ninguém tem o direito de desprezar”, afirmou.