Quarta-feira, 13 de maio de 2026
APOIE
Menu

O governo pró-europeu da Romênia foi destituído nesta terça-feira (05/05) pelo parlamento, em virtude da aprovação de uma moção de censura apresentada pelo Partido Social Democrata (PSD) e pelo partido de extrema-direita Aliança para a União dos Romenos (AUR). A decisão marca um momento de forte tensão política, já que ocorre a menos de um ano da posse da coalizão governante.

O primeiro-ministro liberal da Romênia, Ilie Bolojan, disse aos parlamentares antes da votação que “a moção de censura é falsa, cínica e artificial” e que “qualquer país em meio a múltiplas crises tentaria consolidar governos, não trocá-los”.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Ilie Bolojan teve uma trajetória recente marcada por dois momentos consecutivos no poder na Romênia. Entre 12 de fevereiro de 2025 e 26 de maio de 2025, atuou como presidente interino, assumindo o cargo em meio a uma crise institucional após a renúncia de Klaus Iohannis.

Poucas semanas depois, em 23 de junho de 2025, foi empossado como primeiro-ministro após negociações políticas que levaram à formação de uma nova coalizão governista.

Mais lidas

A moção foi aprovada com 281 votos a favor e apenas quatro contra, ultrapassando amplamente o mínimo necessário de 233 votos. Apesar de o PSD e a AUR somarem juntos 220 deputados, a votação contou com apoios adicionais, enquanto partidos da coligação governamental optaram pela abstenção.

O líder da AUR, George Simion, aproveitou a situação para pedir eleições antecipadas, afirmando que a “voz do povo” foi ouvida e que seu partido deve assumir a responsabilidade pelo “futuro do país”, defendendo que o destino da Romênia “deve ser decidido pelos votos dos romenos”.

No entanto, eleições antecipadas são consideradas improváveis, já que o calendário oficial está previsto para 2028. Ainda assim, acende um sinal de alerta o crescimento da AUR nas pesquisas, com cerca de 37% das intenções de voto, o que pode influenciar o futuro político do país.

Segundo o jornal The Guardian, o presidente centrista Nicușor Dan deve indicar um novo primeiro-ministro. Antes disso, ele deve convocar partidos para negociações com o objetivo de tentar reconstruir a antiga coalizão, seja com outro líder do Partido Nacional Liberal (PNL)  ou com um tecnocrata.

Em declaração nesta terça-feira, Dan afirmou que a situação atual não é “feliz”, mas descartou a proposta da extrema-direita de convocação de eleições antecipadas, defendendo a formação de um novo governo em um “prazo razoável”.

O líder do PSD, Sorin Grindeanu, afirmou aos jornalistas que o partido aceitaria integrar uma coligação pró-União Europeia sob um novo premiê, dizendo que “há vida após o voto de desconfiança”. Ele acrescentou: “Queremos manter, em linhas gerais, esta coligação”.

No entanto, o vice-primeiro-ministro do PNL, Cătălin Predoiu, mostrou-se dividido e afirmou que é preciso “manter as opções em aberto”.

A União para Salvar a Romênia (USR) afirmou que não pretende retomar uma aliança com o PSD e indicou não temer a convocação de eleições antecipadas, mantendo-se aberta inclusive a um governo minoritário.

A declaração ocorre após o agravamento da crise política: o PSD deixou a coalizão, pediu a renúncia do primeiro-ministro e, em seguida, aliou-se à oposição e à AUR para aprovar a moção de censura que levou à queda do governo.

Ilie Bolojan,  político romeno de centro-direita permaneceu dez meses no cargo
X/ illie bolojan

Início do conflito

O PSD entrou em conflito diversas vezes com o premiê Ilie Bolojan devido à adoção de medidas econômicas duras, como aumento de impostos, congelamento de salários e aposentadorias públicas e cortes de gastos e empregos, medidas que impactaram diretamente seus eleitores e levaram à perda de apoio popular.

Em junho do ano passado, logo em sua posse, o governo iniciou um plano para reduzir o déficit orçamentário da Romênia, um dos mais elevados da União Europeia. A medida teve sucesso inicial, reduzindo o índice de 9,3% para 7,9% do PIB, mas acabou gerando forte desgaste político.

Além disso, o país ainda precisa reduzir seu déficit, com meta de 6,2% neste ano, como parte das reformas necessárias para receber cerca de 10 bilhões de euros da União Europeia dentro do prazo estabelecido.

Nesta terça-feira, Ilie Bolojan afirmou que a decisão de derrubar o governo ignorou a atual situação financeira do país, ressaltando que já esperava que as medidas adotadas seriam impopulares.

Ainda no ano passado, partidos pró-União Europeia se juntaram e formaram governo após eleições parlamentares nas quais a AUR conquistou um terço dos assentos, encerrando um período de turbulências políticas iniciado com a anulação das eleições de 2024.

Diante deste cenário, o candidato da extrema-direita George Simion venceu o primeiro turno da eleição presidencial, resultado que contribuiu para enfraquecer o então governo de coalizão entre PSD e PNL. No entanto, ele acabou derrotado de forma expressiva no segundo turno por Nicușor Dan, em maio.