Parlamento europeu adota regras mais severas em Acordo Mercosul-UE
Com possibilidade de sanções e controle de preços das mercadorias, alterações serão negociadas no Conselho da União Europeia na próxima quinta (18)
O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul superou nesta terça-feira (16/12) mais uma etapa institucional, após o Parlamento Europeu aprovar novas salvaguardas destinadas a proteger setores sensíveis da economia europeia.
As regras ficaram mais severas do que as inicialmente propostas por Bruxelas, reacendendo incertezas sobre a tramitação final do tratado, negociado desde 1999 e ainda alvo de forte oposição política no bloco.
Entre as mudanças está o endurecimento dos mecanismos de defesa comercial. Pela nova regra, a Comissão Europeia deverá abrir investigações sempre que a variação de preços de produtos considerados sensíveis ultrapassar 5%, metade do limite de 10% previsto no texto original.
Além disso, ficou estabelecido que os produtos agrícolas e mercadorias do Mercosul poderão sofrer sanções caso não atendam aos rigorosos padrões sanitários exigidos pela União Europeia. Neste caso, as salvaguardas serão automaticamente aplicadas.

Parlamento europeu adota regras mais severas em Acordo Mercosul-UE
EU2017EE Estonian Presidency / Wikimedia Commons
Disputas internas
As alterações agora serão negociadas no Conselho da União Europeia, que reúne os governos dos 27 países do bloco. As conversas devem começar já nesta quarta-feira (17/12), com o objetivo de tentar viabilizar a apreciação final do acordo na reunião do Conselho marcada para quinta-feira (18/12).
Cada país tem direito a voto. A França segue como a principal força de resistência ao tratado e defende que as discussões sejam adiadas para 2026. Com apoio da Itália, o governo francês avalia que ainda são necessárias garantias adicionais para proteger a agricultura europeia.
Caso consiga o apoio formal de países como Polônia e Hungria — já declaradamente contrários —, Paris pode se aproximar de uma minoria de bloqueio. Para barrar o acordo no Conselho, são necessários ao menos quatro países que representem 35% da população da UE.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, vem sendo pressionada por líderes favoráveis ao acordo, como o chanceler alemão Friedrich Merz e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Para Bruxelas, ele é estratégico para preservar a relevância econômica do bloco em um cenário global marcado pelas tarifas do governo Trump e a crescente competição tecnológica com a China.
No próximo sábado (20/12), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen participará, em Foz de Iguaçu, da Cúpula do Mercosul, onde está prevista a cerimônia de assinatura política do acordo que poderá criar, se for aprovado nesta semana, uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com cerca de 722 milhões de consumidores.























