Personalidades políticas e sociais pressionam premiê britânico por ações contra Washington
Discurso apaziguador de Keir Starmer é criticado no Reino Unido por diversos setores que propõem aproximação com países europeus e até mesmo a retirada de bases militares do país
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta uma pressão crescente de setores políticos, sindicais e sociais para adotar uma postura mais dura diante das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à anexação da Groenlândia.
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (19/01), o premiê britânico apelou por uma “discussão calma entre os aliados europeus’ e afirmou que é o momento do país se unir, descartando a possibilidade de uma guerra comercial.
Na última semana, Trump ameaçou aplicar contra oito países europeus uma tarifa de 10% sobre os produtos exportados ao mercado norte-americano a partir de 1º de fevereiro, elevando o percentual para 25% em 1º de junho.
Frente ao cenário, personalidades políticas e sociais do Reino Unido apontaram uma série de propostas que poderiam ser tomadas como retaliação à Washington em sua decisão de incorporar o território no Ártico, pertencente há mais de 300 anos à Dinamarca.
Fechar as bases militares
Entre as propostas está o fechamento de todas as bases militares norte-americanas no Reino Unido. É o que sugere o movimento pacifista Stop de the War, após concluir que os esforços da Grã-Bretanha em agradar ao presidente norte-americano “simplesmente, não funcionam”.
A coordenadora da entidade, Lindsey German, declarou que “Trump é a maior ameaça à paz mundial”, ao agir de forma “completamente irresponsável e fora do direito internacional, não apenas em relação à Groenlândia, mas também à Venezuela e a outros lugares”.
‘Há coisas que a Grã-Bretanha pode fazer. Há, por exemplo, mais de 10.000 militares americanos na Grã-Bretanha neste momento, e deve ficar muito claro para Trump que não há uma relação especial em eliminar todas as bases militares norte-americanas aqui, e também da Alemanha e de todos os outros lugares da Europa onde elas estão localizadas”, sugeriu German.
Ela também defendeu que ‘se Trump está falando sério sobre não querer trabalhar com a Europa, então não precisamos dos EUA na Europa”, acrescentando que Washington tem “sido uma força para a guerra, não para a paz, por gerações, e é hora de pararmos de apoiá-los nisso”.

Personalidades políticas e sociais pressionam premiê britânico por ações contra Washington
Number 10/Flickr
Estreitar laços com UE
Paul Nowak, secretário-geral do Congresso de Sindicatos (Trades Union Congress, TUC) também se manifestou sobre os impactos econômicos das medidas anunciadas por Washington. “Mais uma vez, as tarifas arbitrárias de Trump ameaçam destruir setores chaves da indústria britânica e empregos.”
Em sua avalição, o governo britânico deve priorizar uma relação comercial “mais estreita com a União Europeia”. Ele afirmou que “em uma economia global cada vez mais volátil e imprevisível, é uma questão de bom senso que fortaleçamos os laços com nossos vizinhos mais próximos e nosso maior parceiro comercial”.
Na esfera política, o líder galês do Plaid Cymru, Rhun ap Iorwerth, disse que as ameaças de anexação da Groenlândia e o uso de tarifas para intimidar os países é “um abuso de poder inaceitável e deve ser enfrentada com uma contestação muito mais forte do que a apresentada pelo primeiro-ministro”, referindo-se à coletiva de imprensa de Starmer, ocorrida na segunda-feira (19/01).
‘O uso da coerção econômica contra nações democráticas em defesa da segurança coletiva deve ser condenado inequivocamente”, afirmou.
Tirar a cabeça da areia
O ex-premiê Gordon Brown também se manifestou. Em artigo publicado no Guardian, nesta terça-feira (10/01), ele evitou fazer uma crítica direta o atual premiê britânico, mas sugeriu que líderes europeus deveriam ir muito além na contenção do presidente norte-americano.
“Em rápida sucessão, os EUA abandonaram sua antiga defesa do Estado de Direito, dos direitos humanos, da democracia e da integridade territorial dos Estados-nação”, afirmou Brown.
Ele também advertiu: “não podemos mais duvidar de que o presidente falava sério quando disse que não “ precisa do direito internacional ” e que a única restrição ao exercício do seu poder seria “a minha própria moralidade, a minha própria mente”.
Em sua avaliação, agora é o momento “para a Europa e as democracias do Sul global tirarem a cabeça da areia”. Para isso, ele propôs que “as democracias do mundo deveriam elaborar uma breve declaração de valores, ecoando o ponto de partida da Carta da ONU” mas, desta vez, “demonstrando que falamos sério”.





















