O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou nesta quarta-feira (30/09), em entrevista à BBC, que o Reino Unido deve discutir uma nova relação com a União Europeia (UE) e incluiu entre as possibilidades a readesão ao bloco, dez anos depois do referendo que levou ao Brexit.
Burnham apresentou diferentes caminhos que poderão ser considerados pelo governo: manter a relação atual com a UE, ingressar em uma união aduaneira, voltar ao mercado único europeu ou recuperar a condição de membro do bloco.
Questionado sobre essa última possibilidade, ele disse que o Reino Unido poderia “ir até o fim”. “Claramente, existem opções que precisam ser consideradas, e temos que analisar o que é viável e quais seriam os prós e os contras de cada uma”, acrescentou.
A declaração aprofunda a posição apresentada pelo primeiro-ministro na terça-feira (29/07), durante a conferência anual do Partido Trabalhista, em Liverpool. “Serei muito claro, e direi isso sem rodeios: o Brexit causou mais mal do que bem. Então a questão é: o que faremos a respeito?”, sintetizou.
A discussão ocorre em meio a um movimento de reaproximação entre Londres e Bruxelas, que autorizou conversações para estreitar a integração dos mercados de eletricidade britânico e europeu.
Os primeiros-ministros da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte defenderam recentemente o retorno do Reino Unido à União Europeia. No memorando conjunto, divulgado em 14 de setembro, eles exigiram a autodeterminação e afirmaram que “a Europa é nosso lar comum e acreditamos que o futuro de nossas nações pertence à União Europeia”.

O primeiro-ministro prometeu apresentar as diferentes alternativas para a relação de longo prazo com os europeus na próxima cúpula entre Reino Unido e UE, prevista para novembro. O encontro estava inicialmente marcado para julho, mas foi adiado após a renúncia do então primeiro-ministro Keir Starmer, em junho.
A proposta de Burnham já provocou reação do Reform UK, partido liderado por Nigel Farage, uma das principais figuras da campanha pelo Brexit. Richard Tice, vice-líder da legenda, acusou o primeiro-ministro de tentar levar o Reino Unido de volta a Bruxelas “pela porta dos fundos”.
O Reino Unido decidiu deixar a União Europeia em referendo realizado em junho de 2016, quando 51,9% dos eleitores votaram pelo Brexit e 48,1% pela permanência. A saída foi formalizada em janeiro de 2020, encerrando 47 anos de participação britânica no bloco.