O presidente suíço, Guy Parmelin, anunciou na sexta-feira (02/10) sua decisão de deixar o governo federal em 31 de dezembro, após dez anos no executivo colegiado que lidera o país. Ele também ocupa o cargo de chefe do Departamento de Economia, Educação e Pesquisa.
O anúncio marca o fim de uma década de atuação contínua de Parmelin no centro do poder suíço — um sistema único no mundo, que divide a liderança do Estado entre sete conselheiros federais que decidem por consenso e se alternam a cada ano na Presidência simbólica do país.
Considerado um moderado dentro do Partido Popular Suíço (SVP) — uma legenda de extrema-direita e a principal força política do país —, Parmelin explicou que sua saída visa abrir caminho para novas gerações. Sua intenção, disse ele, é criar espaço para que outras “forças ativas” entrem na política nacional.
O anúncio é significativo no cenário político suíço, uma vez que o SVP construiu sua hegemonia em um discurso nacionalista, anti-imigração e eurocético, o que tensionou a imagem tradicional de neutralidade e consenso do país. Isso levanta questões sobre a reestruturação interna da legenda e sua estratégia para os próximos ciclos eleitorais.
Swiss President @ParmelinG has announced that he is stepping down on 31.12.2026.
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— Swiss Federal Government (@SwissGov) October 2, 2026
Como chefe do Departamento de Economia, Educação e Pesquisa, Parmelin lidou com questões sensíveis para o modelo suíço: a competitividade dos setores bancário e industrial, as relações comerciais com a União Europeia, a formação profissional dual — motivo de orgulho nacional — e a política de inovação científica. Seu mandato transcorreu em meio à pressão de Washington e Bruxelas por maior transparência financeira e à defesa da soberania econômica preconizada por seu partido.
O governo federal suíço, composto por sete conselheiros que representam os principais partidos políticos segundo uma fórmula aritmética não escrita, conseguiu, durante décadas, evitar a personalização do poder. Não existe um presidente com autoridade vertical, mas sim um primeiro entre iguais que se reveza anualmente. Parmelin ocupa essa presidência rotativa em 2026, de modo que sua saída no final do ano coincidirá com a transferência de poder para o seu sucessor.
Sua saída obrigará o Parlamento a eleger um novo conselheiro federal, em uma votação que normalmente se torna um barômetro das alianças e rupturas dentro do establishment.
(*) com teleSUR