Prisões por apoio ao Palestine Action escalam no Reino Unido
Pais e ativistas do grupo ouvidos pelo Haaretz alertam para abuso do governo britânico; mais de 2 mil pessoas já foram presas
Desde que o governo britânico classificou o grupo ativista Palestine Action como uma organização terrorista, em julho deste ano, mais de 2.000 pessoas foram detidas por expressar apoio à organização que atua em defesa da causa palestina.
Foi o caso da ativista sueca Greta Thunberg, presa na última segunda-feira (22/12), por segurar um cartaz com os dizeres: “eu me oponho ao genocídio, eu apoio a Palestine Action”, durante um protesto em Londres. Ela foi solta no dia seguinte, porém, 29 integrantes do grupo permanecem presos.
Fundada em 2020, pelos ativistas britânicos Huda Ammori, de ascendência palestina e iraquiana, e por Richard Barnard, a Palestine Action vem concentrando suas ações contra a Elbit Systems, principal fabricante de armas de Israel com operações no Reino Unido.
Os detidos da organização foram presos após uma invasão a uma base aérea e a uma fábrica da Elbit, em Filton. Oito entre eles, em diferentes prisões do país, iniciaram uma greve de fome. Dois foram hospitalizados na última segunda-feira (22/12), após permanecerem 40 dias sem se alimentar.
Além das prisões dos ativistas, a Justiça britânica vem prendendo também os que manifestam apoio à organização. Entre eles, vários britânicos que participaram dos protestos organizados pelo grupo Defend Our Juries, contra o uso abusivo da Lei Antiterrorista no país.

Reino Unido prende milhares por apoio ao grupo Palestine Action
@pal_action-news/ Instagram
Prisões
Reportagem do jornal israelense Haaretz, sobre a escalada da repressão aos ativistas no Reino Unido, destaca que 531 pessoas foram detidas no mês passado diante do Tribunal Real de Justiça, que julgava um recurso apresentado Palestine Action contra a classificação de terrorismo.
Entre eles, estava Zoe Cohen, ativista judia de 55 anos, que descreveu sua detenção como “distópica”. “Eu simplesmente fiquei sentada em silêncio”, afirmou ao jornal israelense Harretz, ao questionar: “se o Estado britânico pode se safar ao proibir um grupo de ação direta de ser considerado terrorista e, portanto, usar a lei antiterrorista para suprimir a liberdade de expressão, quem será o próximo?”
O jornal israelense informa que até setembro deste ano, 1.630 pessoas foram presas por apoiar a organização sob a Lei Antiterrorista. Somadas às detenções durante os protestos do Defend Our Juries, o número ultrapassa 2.500. Desse total, ao menos 254 pessoas já foram formalmente indiciadas e poderão enfrentar até seis meses de prisão, além de restrições para trabalhar e viajar.
Seis ativistas do grupo estão sendo julgados nestes dias em Londres pela invasão da fábrica da Elbit, em agosto de 2024. Eles são acusados de roubo qualificado, danos materiais e distúrbios violentos. Um deles também é acusado de causar lesões corporais a uma policial. Eles declararam que o objetivo da ação era causar “o máximo de danos possível” à propriedade da fábrica, mas que não tinham a intenção de usar violência. O responsável pela agressão disse que estava tentando proteger um amigo e entrou em pânico.
Alertas
Haaretz entrevistou a mãe de uma das rés, Clare Hinchcliffe que defendeu o posicionamento político da filha. “Depois que ela foi presa, comecei a aprender rapidamente o que era a Elbit Systems e [descobri] que ela é a principal fabricante de armas de Israel. O fato de estarem operando em solo britânico e de o governo britânico estar considerando oferecer a eles um contrato de 2 bilhões de libras é abominável”, destacou.
“Posso entender a indignação dos ativistas com o governo do Reino Unido e sua decisão de fazer o que podiam para defender o direito internacional durante um genocídio”, acrescentou.
Ao jornal, Tom Southerden, diretor de direito e direitos humanos da Anistia Internacional, disse que a decisão do governo britânico ameaça transformar o protesto em crime no país. “Estamos muito preocupados com o fato de isso normalizar a ideia de que o protesto é algo a ser restringido, que o protesto é inerentemente problemático ou uma ameaça”, apontou.
Confira a íntegra da reportagem.























