Terça-feira, 30 de junho de 2026
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Nesta terça-feira (23/06), data que marca os dez anos do referendo que levou à saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o ex-negociador do Brexit pelo bloco europeu, Michel Barnier, afirmou que existe a possibilidade de uma eventual reintegração britânica, caso exista uma decisão política nesse sentido.

Segundo ele, o processo de reintegração “poderia ser curto” e “levaria muito mais tempo” para o governo do Reino Unido “decidir se reintegrar” do que para se tornar membro novamente do bloco europeu. A declaração, reportada por The Guardian, foi proferida durante uma conferência em Londres, promovida pelo centro de estudos UK in a Changing Europe.

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Barnier argumentou que o Reino Unido permanece suficientemente alinhado às normas e regulações europeias, o que tornaria o processo de readmissão mais simples do que muitos imaginam. Ele, no entanto, advertiu que não haveria “seleção a dedo” nem flexibilização das regras que sustentam o mercado comum europeu. “Não correremos riscos com isso”, afirmou.

O ex-negociador do Brexit apresentou a opção de o Reino Unido participar de um mecanismo voltado à coordenação entre países europeus que estão fora da UE, como a Noruega e a Ucrânia. “É muito importante estarmos juntos, não sermos subcontratados da China ou dos EUA”, afirmou, ao defender a necessidade de garantir maior segurança econômica para o continente.

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Barnier também relatou ter proposto a criação de um Conselho Europeu de Segurança e Defesa, ao lado da instituição atual, “no espírito da coalizão dos dispostos, trabalhando bem e de forma eficiente para apoiar a Ucrânia junto com o governo britânico e muitos outros.” Em sua avaliação, “nesse roteiro, poderia ser inteligente e útil criar o que chamo de Conselho Europeu para a segurança da defesa do lado da instituição, aberto a alguns países que desempenham um papel fundamental fora da UE, ainda não dentro da UE”.

Seis primeiros-ministros desde o Brexit

Desde o referendo de 2016, o Reino Unido sofreu a troca de seis primeiros-ministros e, agora, prepara-se para ter um sétimo. A renúncia do primeiro-ministro britânico Keir Starmer nesta segunda-feira (22/06) abriu o caminho para que o deputado Andy Burnham, ligado à ala social-democrata do Partido Trabalhista (Labour Party), torne-se o novo líder da legenda e o próximo chefe de governo do Reino Unido.

Anti-Brexit, Andy Burnham é cotado para substituir Starmer no comando do Reino Unido
@AndyBurnhamGM / X

Starmer deixou a liderança do Partido Trabalhista, afirmando não ser mais a pessoa adequada para conduzir a legenda às próximas eleições gerais. Aos 56 anos, o ex-prefeito da Grande Manchester e um crítico do Brexit, é considerado um dos políticos mais populares do Reino Unido e apontado como a principal esperança para frear o avanço da extrema direita representada pelo Reform UK, liderado por Nigel Farage.

Após o anúncio da renúncia de Starmer, Burnham divulgou uma nota agradecendo os serviços prestados pelo premiê britânico, confirmando que participaria do processo sucessório. “Sua decisão marca o início de uma transição e é importante que esse processo seja conduzido de forma ordenada e responsável. Eu me candidatarei para fazer parte desse processo. O país espera estabilidade, seriedade e um foco contínuo nas questões que mais importam, e é isso que ele terá”, declarou.

Ele afirmou que os britânicos “querem ver progresso no crescimento econômico, no custo de vida, nos serviços públicos, na habitação e nas oportunidades para a próxima geração”. Sua eleição foi fortalecida após seu principal adversário, o ex-secretário de Saúde Wes Streeting, declarar apoio à sua candidatura.

‘Rei do Norte’

Andy Burnham integra a ala de centro-esquerda do Partido Trabalhista e tem uma longa trajetória pública de cargos no governo nacional e na administração local. Ele ingressou na Câmara dos Comuns em 2001 e atuou nos governos de Tony Blair e Gordon Brown. Também foi ministro adjunto do Interior e do Tesouro, além de ministro da Cultura e da Saúde.

Ele já concorreu duas vezes à liderança do Partido Trabalhista, em 2010 e 2015, e foi eleito, em 2017, e reeleito por duas vezes prefeito da Grande Manchester, com ampla margem de votos.

Burnham é conhecido por sua defesa de uma maior autonomia para as regiões inglesas e pela implementação de políticas voltadas ao transporte público, à habitação e à saúde. Durante a pandemia de Covid-19, ele confrontou diretamente o então premiê Boris Johnson, exigindo mais recursos para empresas e trabalhadores. Sua defesa dos interesses do norte da Inglaterra rendeu-lhe o apelido de “rei do Norte”.