Socialista e ultradireitista avançam ao segundo turno presidencial em Portugal
António José Seguro angariou 31% dos votos contra 24% de André Ventura; pela primeira vez em quatro décadas, país decidirá eleições em uma segunda volta
O segundo turno das eleições presidenciais em Portugal neste domingo (18/01) será entre António José Seguro, candidato apoiado pelo Partido Socialista, e André Ventura, líder do Chega. Até às 18h40 (pelo horário de Brasília) o socialista aparecia com 30,9% dos votos contra 23,7% do representante da extrema direita.
Em terceiro lugar está Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, que já havia declarado apoio a Ventura em um possível segundo turno. Na quarta posição fiou Marques Mendes, candidato apoiado pelo Partido Social Democrata, legenda do primeiro-ministro Luís Montenegro e do presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Este resultado representa uma derrota para o atual governo português.
“Os portugueses deram-me a liderança dessa direita. Se isto se confirmar, eu sou o líder da direita em Portugal”, disse Ventura ao chegar à sede de campanha do seu partido momentos antes da confirmação do segundo turno.

António José Seguro (esq.) e André Ventura (dir.) disputam segundo turno em Portugal
Reprodução / @ajseguro e @AndreCVentura
Catarina Martins, do Bloco de Esquerda e única mulher na disputa, ficou em sexto lugar. “Não alcancei o resultado que queria, mas continuarei a lutar para quebrar esses tabus”, disse, anunciando, em seguida, seu apoio a Seguro.
António Filipe, candidato apoiado pelo Partido Comunista Português, figura em sétimo lugar. De acordo com os comunistas, o receito de dois candidatos à direita numa segunda volta, fez os eleitores optarem pelo PS na primeira oportunidade. “Nossa campanha foi honesta, pois trouxe as preocupações centrais dos portugueses”, disse.
Com o resultado, António José Seguro recupera as derrotas históricas que o PS acumulou nos últimos pleitos. Apesar da votação expressiva, analistas apontam forte rejeição ao líder do Chega.
Ventura, que fez campanha com discurso anti-imigração e defendeu mudanças constitucionais, representa a possível consolidação de um projeto de inspiração fascista num país que celebrou os 50 anos da Revolução de Abril. Ele chegou a afirmar em entrevista que “eram precisos três Salazares para pôr Portugal na ordem”.
Pela primeira vez em quatro décadas, Portugal decidirá as eleições presidenciais em segundo turno. A última vez foi em 1986, com a vitória do socialista Mário Soares. Os eleitores voltarão às urnas no próximo dia 8 de fevereiro.





















