Trump critica aliados da OTAN por falta de apoio em disputas sobre Groenlândia e Irã
Republicano diz estar 'muito insatisfeito', em particular com Madrid, que classificou como 'parceira terrível'; países reafirmam compromisso com defesa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou aos jornalistas nesta quarta-feira (08/07), durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em Ancara, na Turquia, que está “muito insatisfeito” com a aliança militar.
Ele voltou a criticar os países europeus por não contribuírem suficientemente com a meta de 5% do PIB para defesa e segurança, estipulada na cúpula anterior, ocorrida em Haia no ano passado. Trump mirou especialmente a Espanha, que classificou como uma “parceira terrível” da OTAN.
Ele disse ter ordenado a autoridades norte-americanas que cortem relações comerciais com o país. “A Espanha é uma parceira terrível na OTAN. Eles não participam, não pagam, não quero nada com a Espanha. Cortem todo o comércio com a Espanha, inclusive visitas. Não queremos nada. Podem apostar que eles vão voltar correndo, ah, eles vão voltar correndo”, declarou.
Madri respondeu aos ataques. Ao The Guardian, fontes do governo espanhol afirmaram que o país “mantém uma excelente relação social, cultural e econômica com os EUA” e que não tem intenção de mudar isso.

Trump critica aliados da OTAN por falta de apoio em disputas sobre Groenlândia e Irã
NATO/X
Groenlândia e Irã
Trump também criticou a recusa dos países da aliança em apoiar suas tentativas de anexar a Groenlândia, “um grande problema”, segundo ele. “A Groenlândia é muito importante para os Estados Unidos, mas não é importante para a Dinamarca”, afirmou, ao acrescentar que a ilha é essencial “para a proteção do mundo, não apenas dos Estados Unidos”.
“Precisamos dela para a proteção do mundo. Ela não ajuda a Dinamarca, mas ajuda a nós”, afirmou, sustentando que “a Groenlândia deveria ser controlada pelos Estados Unidos, não pela Dinamarca” que “não gasta dinheiro para realmente ajudar a Groenlândia”.
A questão, afirmou, “prejudicou meu relacionamento com a OTAN”. “Estou muito chateado com a OTAN por pagarmos muito, muito mais do que deveríamos”, declarou.
Trump também criticou os países aliados por não prestarem auxílio a Washington na Guerra do Irã. Ele afirmou que o Reino Unido “não nos deixou usar a ilha por duas semanas” e que a Itália se comportou “muito mal”.
Disse, ainda, que considera encerrado o memorando de entendimento firmado com Teerã. “No que me diz respeito, acabou. Não quero mais negociar com eles, eles são escória. São pessoas doentes, são pessoas cruéis e violentas”, afirmou.
Ucrânia
Durante coletiva de imprensa, Trump disse que os Estados Unidos estão prontos para oferecer garantias de segurança à Ucrânia “para salvar vidas”. Segundo ele, há “muita pressão sobre o presidente Putin”. “Não acho que ele goste do que está acontecendo”, analisou.
Ele também afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a comprar drones ucranianos. “Nós fabricamos drones, fabricamos drones excelentes, mas eles têm a capacidade de fabricar muitos deles, o que é incrível, considerando que em uma situação de guerra eles os fabricam em porões, em qualquer lugar onde haja um pequeno abrigo ou mesmo se não houver abrigo algum”, afirmou.
Apesar das críticas públicas, relatos da Reuters indicam que, na reunião a portas fechadas com líderes da OTAN, Trump diminuiu o tom e não se exaltou no encontro privado. Ele afirmou aos países da aliança que está disposto a continuar vendendo armas “independentemente de como elas fossem usadas”.
Comunicado conjunto
Ao final da reunião, os líderes da OTAN divulgaram um comunicado reafirmando o compromisso com a defesa e segurança do bloco: “um ataque a um é um ataque a todos”, diz o texto.
A declaração identifica a Rússia como uma “ameaça a longo prazo” para a segurança e estabilidade euro-atlântica. A OTAN defende uma aliança “modernizada”, com fortalecimento das capacidades nucleares, convencionais, antimísseis, espaciais e cibernéticas.
O comunicado diz que Ucrânia “contribui para a segurança transatlântica” e promete “apoio inabalável” a Kiev “na defesa de sua liberdade, soberania e integridade territorial”.
Sobre o Irã, os líderes declararam que o país “nunca deve possuir uma arma nuclear”. Eles também pedem que Teerã “respeite plenamente a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”.
























