Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Acusações envolvendo assédio sexual, torturas, saudações nazistas e uso de drogas abalaram as Forças Armadas da Alemanhã (Bundeswehr), envolvendo o 26º Regimento Paraquedista, uma unidade de elite composta por 1.700 soldados, com sede em Zweibrücken, sudoeste da Alemanha.

O escândalo ocorre em meio a uma campanha de recrutamento de jovens de 18 anos no país, onde o serviço militar é voluntário, e às promessas do premiê Friedrich Merz de fortalecer o Exército alemão, no contexto de militarização europeia ante a Guerra da Ucrânia.

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Reportagem do jornal londrino, Financial Times, divulgada neste domingo (11/01) aponta que 55 militares estão sob investigação, três já foram demitidos e outros 19 enfrentam processos de desligamento, após dezesseis casos serem abertos no Ministério Público alemão.

As denúncias envolvendo a unidade de elite, que já participou de missões no Afeganistão, em Mali e no Sudão, descrevem um ambiente interno marcado por assédio sexual, violência, consumo de drogas e uso de uniformes e saudações nazistas.

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Denúncias

Em junho de 2025, após receber denúncias de paraquedistas mulheres, o Exército alemão começou a investigar o caso, que só veio à tona em outubro, após um jornal anônimo receber relatos das saudações e vestimentas nazistas, consumo de drogas e das fotografias tiradas de mulheres e homens enquanto tomavam banho na unidade. O então comandante da unidade, Coronel Oliver Henkel, foi exonerado.

A partir daí, novas denúncias começaram a chegar. Entre elas, uma investigação do jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, sobre a existência de uma “facção de extrema-direita, abertamente antissemita” na unidade, que usava insultos como “porca judia” e ameaçava mulheres de estupro enquanto os homens exibiam genitais.

Na sequência, a Der Spiegel relatou casos de tortura. Em um deles, um comandante da unidade teria apontado uma pistola para o rosto de dois soldados; em outro, os instrutores golpearam repetidamente a região genital e a cabeça de um militar que precisou ser levado à cirurgia.

Unidade do Exército alemão é acusada de assédio sexual, violência e saudações nazistas
U.S.Army Photo by Gertrud Zach/Released

A reportagem destaca que, em 2020, uma unidade inteira das forças especiais foi dissolvida pelo Ministério da Defesa, por causa de “liderança tóxica” e tendências extremistas. Em 2022, um ex-soldado foi condenado a mais de cinco anos de prisão por planejar o assassinato de políticos enquanto se passava por refugiado sírio.

Reposta do governo

Apenas em dezembro, após a escalada das denúncias, o ministro da Defesa alemã, Boris Pistorius, manifestou-se sobre o caso, afirmando estar “consternado” e que as revelações “contrastam fortemente com os valores fundamentais da Bundeswehr” (Forças Armadas da Alemanha).

O porta-voz do Exército destacou ao jornal britânico o lançamento de um “plano de ação para as forças aerotransportadas”, voltado a reforçar a liderança e a formação em valores democráticos. “A violência, o sexismo e o extremismo não têm lugar na nossa Bundeswehr”, afirmou.

“Esperamos que os nossos soldados e funcionários civis defendam e protejam ativamente a ordem democrática fundamental. Quando isso não acontece, agimos com firmeza”, acrescentou.

Para a deputada Agnieszka Brugger (Partido Verde), membro da Comissão de Defesa do Bundestag, ouvida pelo FT, as alegações representam “um enorme problema num momento crítico, em que a Bundeswehr e os nossos políticos precisam de recrutar as pessoas mais capazes para o serviço militar.”