Sexta-feira, 10 de abril de 2026
APOIE
Menu

O acordo estabelecido nesta terça-feira (07/04) entre Irã e Estados Unidos para o fim da guerra contra o país persa pode ser lido como uma “derrota temporária” do governo sionista de Israel, encabeçado pelo premiê Benjamin Netanyahu.

Essa é a avaliação da analista internacional Rose Martins, que ressalta o fato de que, de acordo com as principais agências de notícias, Israel sequer participou das negociações que resultaram no cessar-fogo.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

“Se isso se confirmar, significa que os Estados Unidos estão tratando seus interesses de forma isolada, sem levar em conta que Israel deseja a continuidade da guerra”, afirma a internacionalista.

Para Rose, o recuo de Trump em sua promessa de atacar o Irã nesta terça poder ser lida como uma “derrota temporária” de Netanyahu.

Mais lidas

“Temos que levar em consideração que partiu de Netanyahu a estratégia de arrastar os Estados Unidos para o conflito, e que isso não se traduziu em uma derrota do Irã, ou no avanço do projeto da Grande Israel, ao menos não até agora”, acrescentou.

A analista internacional salienta que, “do ponto de vista prático, Israel é afetado na medida em que não tem condições de manter o conflito contra o Irã vigente sem a ajuda dos Estados Unidos”.

Ataque ao Líbano

Nesta quarta-feira (08/04), horas depois de anunciado o acordo entre Irã e Estados Unidos, Israel lançou diversos bombardeios contra diferentes alvos no território do Líbano.

Segundo Rose Martins, essa agressão de Tel Aviv contra o país vizinho onde está o Hezbollah – movimento xiita libanês aliado de Teerã – poderia ser uma tentativa de forçar um rompimento do acordo.

A analista lembra que a base do entendimento entre a Casa Branca e a República Islâmica foi um protocolo de dez pontos apresentado pelos iranianos. Dois desses pontos consistiam em “fim dos ataques israelenses ao Líbano” e “fim dos combates regionais contra aliados iranianos” (o que inclui o Hezbollah).

Netanyahu tenta reverter cenário adverso após acordo entre EUA e Irã
Israel National News

“Essa escalada dos ataques viola termos do acordo desta terça e o primeiro-ministro do Paquistão, país mediador, já denunciou isso. Ao violarem o acordo por um lado, querem que o Irã se sinta no direito de reagir, e o descumprimento por parte do Irã seria um motivo para os Estados Unidos voltarem a atacar”, observa Rose.

Contudo, a internacionalista considera que “os norte-americanos não parecem muito interessados nisso pelos próximos 15 dias”.

Rose concluiu recordando que “Israel nunca respeitou o cessar fogo acordado com o próprio Líbano no final de 2024, após o qual aconteceram mais mil violações e o Líbano seguiu sendo alvo constante das agressões israelenses”.