Acordo EUA-Irã é ‘derrota temporária’ de Netanyahu, avalia internacionalista
Para Rose Martins, ataques de Tel Aviv ao Líbano são tentativa de reverter cenário favorável a Teerã após recuo de Trump
O acordo estabelecido nesta terça-feira (07/04) entre Irã e Estados Unidos para o fim da guerra contra o país persa pode ser lido como uma “derrota temporária” do governo sionista de Israel, encabeçado pelo premiê Benjamin Netanyahu.
Essa é a avaliação da analista internacional Rose Martins, que ressalta o fato de que, de acordo com as principais agências de notícias, Israel sequer participou das negociações que resultaram no cessar-fogo.
“Se isso se confirmar, significa que os Estados Unidos estão tratando seus interesses de forma isolada, sem levar em conta que Israel deseja a continuidade da guerra”, afirma a internacionalista.
Para Rose, o recuo de Trump em sua promessa de atacar o Irã nesta terça poder ser lida como uma “derrota temporária” de Netanyahu.
“Temos que levar em consideração que partiu de Netanyahu a estratégia de arrastar os Estados Unidos para o conflito, e que isso não se traduziu em uma derrota do Irã, ou no avanço do projeto da Grande Israel, ao menos não até agora”, acrescentou.
A analista internacional salienta que, “do ponto de vista prático, Israel é afetado na medida em que não tem condições de manter o conflito contra o Irã vigente sem a ajuda dos Estados Unidos”.
Ataque ao Líbano
Nesta quarta-feira (08/04), horas depois de anunciado o acordo entre Irã e Estados Unidos, Israel lançou diversos bombardeios contra diferentes alvos no território do Líbano.
Segundo Rose Martins, essa agressão de Tel Aviv contra o país vizinho onde está o Hezbollah – movimento xiita libanês aliado de Teerã – poderia ser uma tentativa de forçar um rompimento do acordo.
A analista lembra que a base do entendimento entre a Casa Branca e a República Islâmica foi um protocolo de dez pontos apresentado pelos iranianos. Dois desses pontos consistiam em “fim dos ataques israelenses ao Líbano” e “fim dos combates regionais contra aliados iranianos” (o que inclui o Hezbollah).

Netanyahu tenta reverter cenário adverso após acordo entre EUA e Irã
Israel National News
“Essa escalada dos ataques viola termos do acordo desta terça e o primeiro-ministro do Paquistão, país mediador, já denunciou isso. Ao violarem o acordo por um lado, querem que o Irã se sinta no direito de reagir, e o descumprimento por parte do Irã seria um motivo para os Estados Unidos voltarem a atacar”, observa Rose.
Contudo, a internacionalista considera que “os norte-americanos não parecem muito interessados nisso pelos próximos 15 dias”.
Rose concluiu recordando que “Israel nunca respeitou o cessar fogo acordado com o próprio Líbano no final de 2024, após o qual aconteceram mais mil violações e o Líbano seguiu sendo alvo constante das agressões israelenses”.























