Chancelaria iraniana denuncia ‘cumplicidade deliberada’ de países europeus nos ataques promovidos pelos EUA
Esmaeil Baghaei citou 'repetidas admissões' do líder da OTAN, Mark Rutte, na cúpula em Ancara, onde revelou que cinco mil operações contra país persa foram feitas a partir de bases instaladas na Europa
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, fez duras críticas ao secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, nesta quinta-feira (09/07), após admitir explicitamente a participação de países europeus na mais recente agressão militar lançada pelos Estados Unidos e Israel contra a nação persa. O diplomata exigiu que os cúmplices assumam a responsabilidade.
“As repetidas admissões de Mark Rutte sobre a cumplicidade deliberada da Europa na guerra de agressão entre EUA e Israel contra o Irã apenas confirmam, mais uma vez, que eles não foram imparciais nessa brutal agressão ilegal. Aqueles que forneceram seus territórios, bases militares e infraestrutura para viabilizar a agressão não podem escapar à responsabilidade por sua contribuição para uma agressão não provocada e suas graves consequências”, escreveu o representante iraniano, em publicação na plataforma X.
Mark Rutte’s repeated admissions of Europe’s willful complicity in the US-Israeli war of aggression against Iran only confirms, once again, that they were not impartial in this brutal unlawful aggression. Those who provided their territories, military bases, and infrastructure to…
— Esmaeil Baqaei (@IRIMFA_SPOX) July 9, 2026
A controvérsia surgiu após a cúpula da OTAN realizada em Ancara, na Turquia, onde Rutte revelou que até cinco mil missões de aeronaves norte-americanas foram realizadas a partir de bases europeias durante operações contra o Irã.
Ao mesmo tempo, o presidente dos EUA, Donald Trump, expressou sua decepção com a aliança do Atlântico durante o encontro de alto nível. Ele disse estar “muito irritado com a OTAN” porque, em sua visão, os aliados europeus não forneceram o apoio esperado nas agressões contra o Irã, que ele descreveu como o “principal Estado patrocinador do terrorismo”. O republicano ainda questionou a utilidade do bloco, voltando a afirmar que os Estados Unidos “pagaram muito” para proteger nações que, em sua opinião, não estavam presentes quando sua nação precisava.
A crítica norte-americana foi muito mais direcionada à Espanha. Segundo Trump, o país liderado por Pedro Sánchez “se comportou muito mal” por não apoiar sua ofensiva contra a nação persa. Ele comparou Madri com os países europeus que, de acordo com ele, demonstraram “tremenda unidade” na cúpula da OTAN. Por fim, concluiu que “não queremos ter nada a ver com eles”, pedindo publicamente o rompimento de laços comerciais com a Espanha.

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei
X/@IRIMFA_SPOX
Ainda em publicação, Baghaei criticou ainda mais a retórica do chefe da OTAN, caracterizando-a como uma demonstração performativa de subserviência em vez de força estratégica.
“Ainda assim, a autoelogio implacável de Mark Rutte por servir uma guerra ilegal por escolha não reflete força — ela expõe a mentalidade servil de um cortesão bajulador que acredita que a bajulação pode apagar o desprezo de um rei. Aos olhos de Washington, uma organização ineficaz não pode ser tornada eficaz por meio da bajulação — nem tais bajulações manipuladoras jamais restaurarão o próprio respeito e a integridade pessoal do bajulador”, afirmou.
(*) Com Telesur
























