Chanceler iraniano afirma que país não teme invasão terrestre dos EUA: 'estamos preparados'
Abbas Araghchi disse que plano norte-americano para 'vitória limpa e rápida' fracassou e que Teerã resistirá 'enquanto for preciso'
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, enfatizou na quinta-feira (05/03) que o Irã está pronto para responder a uma invasão terrestre. “Nossas forças estão preparadas para qualquer cenário e sabemos que somos capazes”, disse durante uma entrevista à NBC News.
O chanceler ainda reafirmou que a nação persa não teme uma invasão terrestre, salientando que, se isso acontecesse, “seria um grande desastre para eles“.
Araghchi explicou na entrevista que Teerã não atacou “países muçulmanos” e seus “vizinhos”, acrescentando que conversou com os ministros das Relações Exteriores desses países para explicar que eles não são o alvo. “Atacamos alvos, bases e instalações norte-americanas que, infelizmente, estão localizadas em território de nossos vizinhos”.
A esse respeito, ele mencionou o genocídio perpetrado por Israel contra a população palestina. “Mais de 70 mil pessoas em Gaza foram mortas pelos israelenses, e o exército israelense considerou tudo isso como dano colateral”, lembrou o diplomata.
Long prepared for this war, Iran’s Powerful Armed Forces are ensuring that it becomes a quagmire for whomever chooses to pursue it.
We negotiated twice with this U.S. Administration. Both times, we were attacked in the middle of talks. It bears full responsibility for bloodshed. pic.twitter.com/wT1MmOfbUJ
— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) March 5, 2026
A instabilidade na região levou a um aumento acentuado nos preços do petróleo e a uma queda no mercado de ações dos EUA. Na segunda-feira (02/03), o brigadeiro-general da Guarda Revolucionária Iraniana, Ebrahim Jabbari, disse à TV estatal que o Estreito de Ormuz estava fechado e que qualquer navio que passasse por ali seria incendiado.
Araghchi, no entanto, explicou que não havia nenhuma ameaça e que o estreito permanecia aberto. “Eles não fecharam o estreito. São os navios e petroleiros que não tentam atravessá-lo, porque estão preocupados com a possibilidade de serem atingidos por qualquer um dos lados”, disse ele. “Portanto, não temos intenção de fechá-lo agora, mas, à medida que a guerra continua, consideraremos todos os cenários”, ponderou.
A guerra naval já se espalhou para além da região, com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmando na quarta-feira (04/03) que um submarino norte-americano afundou um navio militar iraniano com um torpedo no Oceano Índico, uma ação que, segundo o ministro, em uma publicação no X, criaria um precedente que os EUA “lamentariam profundamente”.
Na entrevista, o chanceler afirmou que a embarcação estava desarmada e em um exercício de treinamento, e que o ataque, que matou 87 marinheiros, foi um “crime de guerra”. “Sabe, quando um navio desarmado é atacado sem motivo, e um grande número de marinheiros é morto sem ter participado de qualquer batalha, isso criaria um precedente”, disse ele.
Em relação ao ataque a uma escola primária em Minab, que matou dezenas de crianças em 28 de fevereiro, Araghchi afirmou que 171 crianças morreram no incidente e culpou as forças militares americanas e israelenses. Até o momento, pelo menos 1.332 pessoas foram mortas em decorrência da agressão que começou em 28 de fevereiro.
A expansão da guerra pela região também levantou a questão sobre se os principais aliados do Irã — Rússia e China — poderiam entrar no conflito. “Eles estão nos apoiando politicamente e de outras formas”, disse o ministro, acrescentando: “Não vou dar detalhes sobre nossa cooperação com outros países, bem no meio da guerra”.
Quase uma semana após o início do conflito, Araghchi afirmou que sua mensagem para Trump era a de que o plano dos EUA para alcançar uma “vitória limpa e rápida” havia fracassado.
“Não há como eles vencerem esta guerra. Resistiremos enquanto for preciso”, disse ele. “Portanto, é melhor que parem com esta guerra e parem de matar nosso povo.”























