Chanceler iraniano denuncia bombardeio à escola como 'crime de guerra' na ONU
Comissário para Direitos Humanos, Volker Türk, exige 'justiça' para vítimas e investigação 'rápida, imparcial, transparente e completa' dos EUA
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, participou, nesta sexta-feira (27/03), de uma sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, onde acusou os Estados Unidos e Israel de cometerem um “crime de guerra” ao bombardear a escola primária feminina Shajareh Tayyebeh.
“Mais de 175 alunas e professoras foram assassinadas a sangue frio”, afirmou o chanceler. Ele destacou que “as declarações contraditórias dos Estados Unidos, que visam justificar seu crime, não podem, de forma alguma, exonerá-los de sua responsabilidade”.
O chanceler iraniano classificou o ataque de 28 de fevereiro como “um crime de guerra e um crime contra a humanidade”, acrescentando que o Irã enfrenta uma “guerra ilegal imposta por dois regimes agressivos com armas nucleares, os Estados Unidos e Israel”.
Araghchi lembrou que a ofensiva ocorreu enquanto Teerã e Washington estavam engajados em negociações diplomáticas sobre o programa nuclear iraniano. “Eles traíram a diplomacia pela segunda vez em nove meses, sabotando a mesa de negociações”, disse.
Ponta do iceberg
“Este ataque bárbaro [à escola de Minab] é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde sob a superfície catástrofes muito mais graves, nomeadamente a normalização das violações mais abomináveis dos direitos humanos e do direito humanitário e a audácia de cometer crimes atrozes com impunidade”, declarou Araghchi.
Ele denunciou os bombardeios como parte de uma campanha mais ampla contra alvos civis. “Eles estão atacando civis e infraestruturas civis sem qualquer consideração pelas leis da guerra e pelos princípios básicos da humanidade e da civilidade”, afirmou.
O ministro das Relações Exteriores do Irã também citou os impactos da guerra sobre o sistema educacional iraniano. “Mais de 600 escolas foram demolidas ou danificadas em todo o Irã, e mais de 1.000 estudantes e professores foram martirizados ou feridos como resultado disso”, declarou.

Chanceler iraniano denuncia bombardeio à escola como ‘crime de guerra’ na ONU
Agência Tasnim
Resposta da ONU
Na mesma sessão, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que “o bombardeio da Escola Primária Shajareh Tayyebeh em Minab provocou um horror profundo”. Ele destacou que cabe aos responsáveis conduzir uma investigação “rápida, imparcial, transparente e completa”.
Türk também pressionou os Estados Unidos a concluírem a apuração já anunciada. “Funcionários de alto escalão americanos disseram que o bombardeio está sendo investigado. Exijo que esse processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas. Deve haver justiça pelo terrível dano causado”, afirmou.
Segundo autoridades iranianas, o número total de mortos no país já chega a pelo menos 1.937, de acordo com o vice-ministro da Saúde, Ali Jafarian.
























