China e Rússia condenam ataques e pedem paralisação imediata de ofensiva contra Irã
Diplomacia chinesa destaca violação dos direitos internacionais enquanto governo russo aponta responsabilidade da agência nuclear na escalada do conflito
A diplomacia da China e da Rússia se manifestaram categoricamente contra a ofensiva militar no Irã, iniciada, no último sábado (28/02), pelos Estados Unidos e por Israel. Eles demandaram nesta segunda-feira (02/03) a “paralisação imediata das operações militares” que já resultou na morte de mais de 550 iranianos, entre eles, a do Aiatolá Ali Khamenei.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que “a China não foi informada com antecedência” sobre as ações militares dos Estados Unidos. Pequim condenou veementemente os ataques, destacando que “os ataques conjuntos EUA-Israel não possuem autorização do Conselho de Segurança da ONU”.
Ela afirmou que a ofensiva viola o direito internacional, a soberania e segurança do Irã e desrespeitam os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, e que a China está profundamente preocupada com os efeitos colaterais regionais. “A soberania, a segurança e a integridade territorial dos Estados do Golfo devem ser igualmente respeitadas”, acrescentou.
No domingo, a chancelaria chinesa afirmou ser “inaceitável que os Estados Unidos e Israel tenham lançado ataques contra o Irã em meio a negociações entre os dois países”, destacando que o “assassinato flagrante do líder de um Estado soberano e a incitação à mudança de regime são inaceitáveis”.

China e Rússia condenam ataques e pedem paralisação imediata de ofensiva contra Irã
Cancillería de China / X
Rússia
A Rússia também condenou “veementemente e categoricamente” a agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Durante uma reunião do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mikhail Ulyanov, representante da Rússia junto às organizações internacionais sediadas em Viena, apontou a responsabilidade da agência no conflito.
Em sua avaliação, os desenvolvimentos em curso no Irã têm “impacto direto e imediato” no mandato da AIEA e exigem uma reação imediata. Ele afirmou que o governo russo aguarda “avaliações claras” das ações de Israel e dos Estados Unidos por parte da liderança da AIEA.
“O tempo de usar linguagem vaga e manter uma postura equidistante já passou. Não temos o direito de ignorar as graves consequências das medidas imprudentes tomadas contra o regime global de não proliferação, cuja pedra angular é o TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear), destacou.
‘Queda do governo legitimo’
Segundo a agência Tass, durante a reunião na agência nuclear, Ulyanov afirmou que as declarações dos Estados Unidos e de Israel “não deixam a menor dúvida de que seu único objetivo é a derrubada do governo legítimo do Irã e a destruição completa de seu Estado”.
O diplomata salientou que “as preocupações declaradas ao longo do último quarto de século no contexto do programa nuclear iraniano eram meramente uma fachada para a busca desse único objetivo”. “Isso demonstra que a não proliferação é vista em Washington exclusivamente como um instrumento para acertar contas políticas com Estados cujas políticas independentes e escolhas soberanas são consideradas inaceitáveis”, acrescentou.
Ele também afirmou que a Rússia “condena veementemente e categoricamente” a agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, “cujas consequências destrutivas já se espalharam para outros países da região”. Para evitar consequências catastróficas, os Estados Unidos e Israel devem “cessar imediatamente as ações militares e retomar a condução da situação por meio de uma via política e diplomática de resolução”.
Ele também advertiu: “as instalações nucleares não devem, em hipótese alguma, tornar-se alvos de ataques”.
























