Sexta-feira, 15 de maio de 2026
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Uma análise confidencial feita pela CIA, a Agência Central de Inteligência norte-americana, e entregue nesta semana a formuladores de políticas do governo de Donald Trump concluiu que o Irã pode resistir ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos por 90 a 120 dias, “ou até mais”, antes de enfrentar dificuldades econômicas mais graves. A informação foi publicada pelo jornal The Washington Post na quinta-feira (07/05), após consulta com quatro fontes familiarizadas com o documento

De acordo com o veículo, Teerã “mantém capacidades significativas de mísseis balísticos apesar de semanas de intensos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel”, os dois países que iniciaram o conflito em 28 de fevereiro, o que desencadeou no fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima crucial para transporte de petróleo, e desestabilizou a região do Oriente Médio.

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“O Irã mantém cerca de 75% de seus estoques pré-guerra de lançadores móveis e cerca de 70% de seus estoques pré-guerra de mísseis”, informou o Post, citando um funcionário norte-americano que acrescentou que há evidências de que o governo iraniano “conseguiu recuperar e reabrir quase todas as suas instalações de armazenamento subterrâneas, reparar alguns mísseis danificados e até montar novos mísseis que estavam quase prontos quando a guerra começou”.

Um funcionário norte-americano citado pelo periódico avaliou que a recente análise da CIA pode ter subestimado a resiliência econômica de Teerã. Pelo contrário, pode ter a capacidade de suportar investidas mais prolongadas, superando a estimativa do órgão, uma vez que o governo iraniano pode criar uma margem econômica adicional migrando para o transporte ferroviário, sem depender do transporte marítimo.

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“A liderança tornou-se mais radical, determinada e cada vez mais confiante de que pode resistir à vontade política dos EUA e sustentar a repressão interna para conter qualquer resistência” dentro do Irã, disse ao jornal. “Comparativamente, você vê regimes semelhantes durando anos sob embargos prolongados e guerras apenas de poder aéreo”.

“A situação no Irã não é tão grave quanto algumas pessoas retratam”, afirmou outra fonte.

Segundo CIA, o Irã tem capacidade de resistir por meses bloqueio naval dos Estados Unidos
Tasnim/Hossein Zohrevand

Em declarações, Trump e o seu governo, incluindo nomes como o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, têm apresentado frequentemente a guerra como uma vitória militar dos Estados Unidos, embora o país persa não ceda às exigências norte-americanas de abandonar o enriquecimento nuclear e a entregar seus estoques de urânio, como também reabrir o Estreito de Ormuz.

“A Marinha tem sido incrível. O trabalho que eles fizeram… É como uma parede de aço. Ninguém passa”, disse o republicano na quarta-feira (07/05). Já no dia anterior, havia alegado que a economia iraniana “está entrando em colapso”.

Scott Bessent, por sua vez, observou em abril que o principal terminal de petróleo do Irã atingiria sua capacidade máxima, “causando danos permanentes à infraestrutura petrolífera do Irã”.

De acordo com o Post, no entanto, “o Irã tem se mostrado resiliente, apesar de perder seu líder supremo e muitos outros altos funcionários para ataques com mísseis, além de grande parte de seu equipamento militar”.

Em relação ao poder bélico do Irã, a avaliação confidencial indica que o arsenal de mísseis e lançadores móveis do país persa “continua formidável”.  Por outro lado, “uma investigação visual do Post descobriu que ataques aéreos iranianos danificaram ou destruíram pelo menos 228 estruturas ou equipamentos em locais militares dos EUA no Oriente Médio, um nível de destruição muito maior do que o que foi publicamente reconhecido pelo governo dos EUA”, acrescentou o jornal.

Na mesma linha, o ex-chefe da seção de inteligência militar israelense sobre o Irã, Dani Tsitrinovich, afirmou que nem sequer um bloqueio de vários meses não forçaria Teerã a fazer concessões a Washington. De acordo com ele, o resultado da guerra poderia equivaler a um fracasso estratégico para os Estados Unidos e Israel.

“A guerra, que supostamente tinha como objetivo derrubar o regime e eliminar as capacidades nucleares e de mísseis balísticos do Irã, pode, em vez disso, deixar a liderança iraniana mais forte do que antes. Com o fim das sanções, o regime pode ganhar força. Ao mesmo tempo, poderia manter capacidades significativas de mísseis, continuar apoiando suas forças de procuração e, muito provavelmente, preservar as atividades de enriquecimento de urânio em seu próprio território”, disse Tsitrinovich.