Coreia do Sul estuda aderir ao projeto de Trump sobre navegação no Estreito de Ormuz
Avaliação foi anunciada um dia após navio sul-coreano explodir na rota marítima; presidente dos EUA atribuiu incidente ao Irã e apelou para que Seul endosse iniciativa
O governo da Coreia do Sul anunciou nesta terça-feira (05/05) estar avaliando uma possível adesão às operações lideradas pelos Estados Unidos de Donald Trump no Estreito de Ormuz, declarando que “a liberdade de navegação deve ser protegida pelo direito internacional”. A recente posição sobre o assunto se dá um dia após informações de que um navio sul-coreano, o HMM Namu, teria sofrido danos consequentes de uma explosão na rota marítima, que está parcialmente bloqueada pelo Irã em represália à guerra iniciada por Washington e Tel Aviv na data de 28 de fevereiro.
Até o momento, Seul afirmou estar comprometida em fazer “contribuições práticas” para garantir a segurança marítima na via e que está estudando se deve se juntar ao chamado “Projeto Liberdade”. A iniciativa idealizada pelo republicano tem como alegado objetivo guiar navios, com segurança, para fora do estreito. De acordo com o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, a medida tem caráter temporário.
“O governo defende o princípio de que a segurança na passagem marítima internacional e na navegação livre atende ao interesse comum de todas as nações e deve ser protegida de acordo com o direito internacional”, disse o gabinete presidencial em comunicado. “Estamos avaliando a proposta dos EUA sobre o Estreito de Ormuz com base no princípio, na postura de prontidão militar na Península Coreana e nas leis internas. Sobre o Projeto Liberdade, a Coreia [do Sul] e os EUA têm se comunicado de perto para o uso seguro de importantes vias navegáveis, incluindo o Estreito de Ormuz”.
Na segunda-feira (04/05), Trump, sem apresentar provas, atribuiu a explosão da embarcação sul-coreana a Teerã, mas o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul defendeu que a causa da explosão deveria ser analisada somente após a embarcação ser rebocada de volta a algum porto próximo. A porta-voz presidencial Kang Yoo Jung informou que serão abertas investigações sobre o incidente e que a expectativa é de que leve “vários dias” para se chegar a alguma conclusão.
“Para identificar a causa de forma objetiva e credível, planejamos enviar investigadores do Tribunal Central de Segurança Marítima e especialistas da Agência de Gestão de Incêndios e Desastres para o local, além da própria investigação do navio”, afirmou a representante. “O governo tem mantido contato diário com 26 navios sul-coreanos ancorados no Estreito de Ormuz desde o início da guerra no Oriente Médio, e está fazendo o possível para garantir a segurança e fornecer o apoio necessário”.

“Projeto Liberdade” idealizado por Donald Trump tem como alegado objetivo guiar navios para fora do Estreito de Ormuz
RS/via Fotos Publicas
O presidente norte-americano aproveitou o incidente registrado na segunda-feira para apelar para que Seul se junte ao seu projeto. “Talvez seja hora da Coreia do Sul vir se juntar à missão!”, escreveu o republicano nas redes sociais. Por sua vez, Hegseth pediu não somente à Coreia do Sul, como também a nações, incluindo as do bloco europeu, para que integrem a iniciativa.
“Esperamos que a Coreia do Sul se apresente, assim como esperamos que o Japão se apresente, assim como esperamos que a Austrália se apresente, assim como esperamos que a Europa se apresente”, disse o chefe do Pentágono, em coletiva.
Trata-se do mais recente apelo do governo Trump para a Coreia do Sul. Em março, Trump solicitou a cinco aliados, incluindo a nação asiática, que enviassem navios militares ao Estreito de Ormuz. No entanto, a gestão de Lee Jae Myung não se comprometeu a esse pedido e, em contrapartida, participou de discussões com outros países para uma coalizão liderada pelo Reino Unido e França com o objetivo de reabrir o estreito.























