Estrutura política do Irã permanece sólida, afirma chanceler iraniano
Abbas Araghchi comenta morte do chefe de Segurança, Ali Larijani, reiterando que país não começou guerra: ‘EUA precisam ser responsabilizados’
O assassinato de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, não irá abalar a estrutura política do país, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em entrevista à Al Jazeera nesta quarta-feira (18/03).
“Não sei por que os americanos e os israelenses ainda não entenderam este ponto: a República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais consolidadas”, declarou, ao acrescentar que “a presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”.
Araghchi deu o próprio exemplo: “se o ministro das Relações Exteriores viesse a ser martirizado, haveria inevitavelmente outra pessoa para assumir o cargo”. “É claro que os indivíduos são influentes, e cada pessoa desempenha seu papel – alguns melhor, alguns pior, alguns menos – mas o que importa é que o sistema político no Irã é uma estrutura muito sólida”, afirmou.
Ele também citou o assassinato do líder supremo Ali Khamenei, morto no início dos ataques, em 28 de fevereiro. “Não tivemos ninguém mais importante do que o próprio líder, e mesmo quando o líder foi martirizado, o sistema continuou a funcionar e providenciou imediatamente um substituto. Se mais alguém for martirizado, será a mesma coisa”, reiterou.

Estrutura política do Irã permanece sólida, afirma chanceler iraniano
Mohammadhosein Moyahedinejat/Tasnim
Cessar-fogo
Araghchi voltou a responsabilizar Washington pela escalada do conflito. “Vou repetir: esta guerra não é a nossa guerra”, afirmou. “Nós não começamos isso. Os Estados Unidos começaram e são responsáveis por todas as consequências desta guerra – humanas e financeiras – seja para o Irã, para a região ou para o mundo inteiro. Os Estados Unidos devem ser responsabilizados”, acrescentou.
O chanceler também mencionou a solidariedade de alguns países em busca da paz na região. “Agradecemos a todos os nossos amigos que estão se esforçando nesse sentido”, afirmou. “Não aceitamos um cessar-fogo. No entanto, se houver uma proposta para acabar com a guerra que atenda às nossas condições, de modo que a guerra termine definitivamente em toda a região e os danos sofridos pelo Irã sejam compensados, certamente a ouviremos”, afirmou.
Durante a entrevista, Araghchi foi questionado sobre a China. Ele afirmou que o país asiático foi bem-sucedido como mediador entre Irã e Arábia Saudita. “Acredito que ambos os países permanecem comprometidos com o acordo alcançado graças à mediação chinesa”, disse. “A China certamente tem grandes capacidades, e outros países também têm esse potencial. Repito, qualquer ideia que atenda às nossas exigências e às nossas condições, vamos considerá-la”, complementou.
Na sequência, o chanceler postou nas redes sociais que “um número crescente de vozes – incluindo autoridades europeias e norte-americanas – proclama que a guerra contra o Irã é injusta” e que “mais membros da comunidade internacional deveriam seguir o exemplo”. “A onda de repercussões globais apenas começou e atingirá a todos, independentemente de riqueza, fé ou raça. Nosso inimigo é um só”, acrescentou.
Kremlin lamenta morte
O Kremlin se manifestou sobre a morte de Larijani. “Condenamos qualquer ato que tenha como objetivo minar a saúde ou, ainda mais, o assassinato e eliminação de representantes da liderança de um Irã soberano e independente, bem como de outros países”, afirmou.
A morte de Larijani ocorreu na noite de segunda-feira (17/03) e foi confirmada oficialmente por Teerã. “As almas puras dos mártires acolheram a alma purificada do justo servo de Deus, o mártir Dr. Ali Larijani”, declarou o Conselho Supremo de Segurança Nacional, acrescentando que o filho de Larijani e seus guarda-costas também morreram no ataque.
A mídia estatal iraniana também informou a morte do brigadeiro-general Gholamreza Soleimani, chefe das forças Basij, grupo paramilitar vinculado à Guarda Revolucionária. O chefe do Exército, Amir Hatami, prometeu resposta dura, afirmando que haverá uma retaliação “decisiva”.
























