EUA acreditavam que Israel planejava matar negociadores iranianos, diz NYT
Segundo jornal, Washington teria informado mediadores sobre plano israelense contra chanceler Abbas Araghchi e presidente do Parlamento nas tratativas iniciais do acordo, em abril
Israel teria planos de assassinar os dois principais negociadores do acordo de paz entre Washington e Teerã: o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Reportagem do The New York Times, publicada nesta quinta-feira (02/07), a partir de relatos de autoridades da administração Trump e de ex-integrantes do governo, afirma que os ataques ocorreriam em abril, durante as primeiras tratativas de paz. Ao saber da intenção de Israel, a Casa Branca reagiu contra o plano de assassinato dos negociadores.
Considerados “alvos legítimos” por Israel, Araghchi e Ghalibaf estiveram à frente das negociações desde a primeira tratativa, em 7 de abril, que estabeleceu uma trégua de duas semanas, interrompida doze dias depois pelos Estados Unidos.
Ao tomar conhecimento de que ambos integravam uma lista de alvos israelenses, Washington teria alertado o governo de Israel de que um atentado “encerraria as negociações e reacenderia os combates”, afirma o jornal. Segundo as fontes, o governo Trump chegou a solicitar aos países do Oriente Médio, envolvidos na mediação, que alertassem Teerã sobre o plano de assassinato dos dois negociadores.
Alerta foi dado em março
Em 25 de março, o Wall Street Journal chegou a informar que Araghchi e Ghalibaf integravam a lista de alvos israelense e que seus nomes foram retirados por pressão da Casa Branca, por um período de cinco dias.
A Reuters também reportou o episódio, um dia depois, citando uma fonte de Islamabad que afirmou que o Paquistão teria solicitado aos Estados Unidos que evitassem ataques contra os dois líderes, considerados peças-chave em eventuais negociações com Teerã.
“Os israelenses tinham suas coordenadas e queriam eliminá-las, dissemos aos Estados Unidos que, se eles também forem eliminados, não haveria mais ninguém com quem conversar, por isso os Estados Unidos pediram aos israelenses que recuassem”, disse a fonte à agência.

EUA acreditavam que Israel planejava matar negociadores iranianos, diz NYT
IRNA
Agenda diplomática sob ameaça
As autoridades ouvidas pelo NYT relataram que quando Ghalibaf viajou a Islamabad para reuniões relacionadas ao processo diplomático, em abril, Teerã buscou garantias, por meio de intermediários do Paquistão e do Catar, de que não haveria ataques israelenses contra os negociadores, inclusive, mobilizando caças paquistaneses para escoltar o avião oficial até Islamabad.
Durante o retorno da viagem, as forças de segurança do Irã receberam um alerta sobre um suposto plano de ataque da aeronave, que transportava Ghalibaf. Segundo as fontes, havia informações de que dois caças israelenses teriam penetrado no espaço aéreo iraniano pela fronteira com o Iraque.
Após o alerta, o avião iraniano realizou um pouso de emergência em Mashhad e a delegação iraniana teve de percorrer cerca de oito horas por terra até chegar a Teerã. O episódio, frisa NYT, foi confirmado nas redes sociais por Mahdi Mohammadi, assessor de Ghalibaf, que integrava a comitiva.
Apesar das ameaças, Araghchi e Ghalibaf mantiveram suas agendas diplomáticas ao longo de todo o conflito. Ambos viajaram ao Catar e, em junho, foram à Suíça para uma nova rodada de negociações com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance.
Segundo o NYT, o episódio evidencia a crescente divergência entre os objetivos de Washington e Tel Aviv. Enquanto o governo Trump passou a priorizar um acordo político com Teerã, Israel permaneceu defendendo a continuidade da ofensiva militar e a derrubada do governo iraniano.
Israel não comentou a reportagem
A porta-voz da Embaixada de Israel em Washington se recusou a comentar a reportagem. Já um funcionário da Casa Branca disse ao jornal que as negociações entre Estados Unidos e Irã continuam, classificando as conversas em Doha como “produtivas” e que o presidente norte-americano, Donald Trump, quer que “o processo de paz se concretize”.
























