EUA cogitam usar ativos iranianos confiscados para indenizar ‘danos’ de aliados no Oriente Médio
Secretário do Tesouro, Scott Bessent diz que plano agravará consequências econômicas ao país persa; declarações ocorrem em meio à violação norte-americana do cessar-fogo
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ameaçou nesta quinta-feira (11/06) usar os ativos iranianos confiscados para indenizar “danos” causados aos aliados norte-americanos na região do Oriente Médio. O anúncio foi feito em meio à escalada de tensões militares entre Washington e Teerã.
“Qualquer dano causado aos nossos aliados no Golfo [Pérsico] será ressarcido com fundos apreendidos de contas iranianas”, anunciou Bessent pela plataforma X, acrescentando que o mesmo ocorrerá para pedágios pagos à Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico. “Cada ataque lançado pelo Irã [contra os aliados dos EUA no Oriente Médio] só irá agravar as consequências econômicas e financeiras que o país [persa] enfrenta”.
The Iranian regime will lose the zero-sum game it is playing.
Any damage it inflicts on our allies in the Gulf will be paid for with funds extracted from Iranian Accounts.
Any tolls paid to the Persian Gulf Strait Authority will be offset by funds extracted from their accounts.…
— Treasury Secretary Scott Bessent (@SecScottBessent) June 11, 2026
As declarações do secretário norte-americano fazem parte da mais recente campanha de pressão anunciada pelo Departamento do Tesouro em 5 de junho, a chamada “Operação Fúria Econômica”, em sanções que atingem setores bancário e energético do país persa. Em comunicado, o órgão afirmou que o governo de Donald Trump estava designando “uma rede de indivíduos, entidades e embarcações responsáveis pelo transporte de centenas de milhões de dólares em gás liquefeito de petróleo (GLP)” para usuários no Sul e Leste da Ásia.
Ao todo, 12 entidades foram alvos, incluindo cinco baseadas nas Ilhas Marshall, quatro nos Emirados Árabes Unidos e uma na China. O argumento apresentado por Washington é que a rede usou empresas de fachada nesses países, além de contas bancárias estrangeiras e frota clandestina para movimentar “milhões de barris de GLP” de origem iraniana, driblando sanções norte-americanas.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ameaçou usar os ativos iranianos apreendidos para pagar eventuais prejuízos causados aos aliados norte-americanos na região do Oriente Médio
X/@SecScottBessent
A campanha de pressão financeira se desenrolou poucos dias antes da renovação das operações militares dos Estados Unidos, por ordem de Trump, contra o Irã.
Na madrugada de quarta-feira (10/06), o Exército dos Estados Unidos realizou ataques no sul do Irã em retaliação ao suposto abate de um helicóptero Apache que o presidente norte-americano alegou ter sido de autoria do país persa. Em nota, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) justificou sua violação como um “ataque de autodefesa contra o Irã” e “uma resposta proporcional à agressão iraniana injustificada”. Nesta quinta-feira, Trump sugeriu possíveis ações contra a infraestrutura petrolífera de Teerã.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi acusou os Estados Unidos de “violação da soberania nacional e da integridade territorial”. O chanceler condenou a ação militar norte-americana e reiterou que Teerã mantém o “direito inerente à legítima defesa e de uma resposta recíproca”.
























