EUA e Irã negociam cessar-fogo de 60 dias e reabertura temporária de Ormuz, diz site
Segundo Axios, tratado envolve extensão de trégua para livre circulação pelo estreito e Washington isentaria sanções; Teerã rejeita ‘concessões’ e prevê 60 dias para tratar de questões nucleares
Os Estados Unidos e o Irã avançaram nas negociações e estão próximos de assinar um acordo preliminar envolvendo uma extensão de mais 60 dias de trégua, durante a qual o Estreito de Ormuz será reaberto e Teerã poderá comercializar o petróleo livremente, informou inicialmente o portal Axios no sábado (23/05), citando um funcionário norte-americano.
O veículo detalhou que, durante os dois meses de cessação de ataques, a rota marítima estratégica se manteria aberta e sem cobrança de pedágios, ao mesmo tempo em que o país persa deveria desinstalar as minas para permitir a livre passagem de navios. Em troca, Washington suspenderia o bloqueio aos portos iranianos e isentaria algumas sanções para permitir a livre venda de petróleo por parte de Teerã.
O rascunho do acordo, de acordo com Axios, também inclui exigências para que o Irã de nunca busque armas nucleares e negocie a suspensão integral de seu programa de enriquecimento de urânio, assim como o de remover todo o estoque do material.
De acordo com a agência Tasnim, porém, o Irã ainda não aceitou formalmente nenhuma medida envolvendo seu programa nuclear, e destacou que o potencial acordo, em fase final de entendimento, reserva 30 dias para procedimentos relacionados mais especificamente ao Estreito de Ormuz, enquanto 60 dias para quaisquer negociações envolvendo a questão nuclear.
Neste domingo (24/05), o presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que Teerã não busca armas nucleares, mas reiterou rejeição a quaisquer concessões e enfatizou que a sua equipe de negociação “não vai ceder” quando se trata de defender a “honra e dignidade” nacional. Acrescentou também que a nação não toma qualquer decisão com os Estados Unidos sem o aval do líder supremo Motjaba Khamenei, sucessor de Ali Khamenei – aiatolá morto em 28 de fevereiro após o ataque norte-americano e israelense que desencadeou a guerra regional.
“Nenhuma decisão no país será tomada fora do quadro do Conselho Supremo de Segurança Nacional e sem a permissão do líder supremo. A administração do país exige uma única decisão e obediência coletiva”, afirmou, citado pela Tasnim.

Presidente norte-americano Donald Trump declarou que Washington e Teerã estavam finalizando um acordo para encerrar a guerra
The White House
Acordo sujeito à ‘finalização’, diz Trump
No sábado, o presidente norte-americano Donald Trump declarou que Washington e Teerã estavam finalizando um acordo para encerrar a guerra. Disse, em redes sociais, que “um acordo foi amplamente negociado, sujeito à finalização”, acrescentando que o tratado deveria ser anunciado em breve.
Após “conversas amplamente produtivas” com lideranças iranianas em Teerã, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, mediador das negociações, afirmou que uma próxima rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã deverá acontecer “muito em breve”.
Ao jornal The New York Times, três altos funcionários iranianos informaram que Teerã teria concordado com “um memorando de entendimento que pararia os combates e reabriria o Estreito de Ormuz, incluindo o levantamento do bloqueio naval dos EUA contra o Irã e a permissão de tráfego comercial livre sem que o Irã cobre qualquer pedágio”. Segundo os funcionários, sob condição de anonimato, o acordo resultaria na liberação de cerca de 25 bilhões de dólares (aproximadamente 122 bilhões de reais) em ativos iranianos congelados no exterior.
Sobre o assunto, de acordo com a agência Tasnim, o Irã enfatizou que qualquer memorando de entendimento estará condicionado à liberação de pelo menos parte de seus fundos congelados, que devem acontecer logo a partir da primeira fase das negociações. Os ativos restantes devem ser conversados ao longo das próximas etapas das tratativas.
(*) Com Tasnim
























