‘EUA não conquistaram nossa confiança’, afirma Irã
Delegação persa aponta que ‘exigências excessivas’ de Washington travaram acordo; Paquistão pede respeito ao cessar-fogo, que expira em 22 de abril
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de seu país nas negociações com os EUA no Paquistão, declarou neste domingo (12/04) que Washington “não conseguiu conquistar a confiança” de Teerã.
Por meio de sua conta no X, o negociador-chefe reiterou que, “devido às experiências das duas guerras anteriores”, Teerã desconfia de Washington, que também “não conseguiu conquistar a confiança” da nação persa após a última rodada de negociações, na qual o lado iraniano propôs “iniciativas voltadas para o futuro”.
Em relação à postura dos EUA, Ghalibaf observou: “Eles entenderam nossa lógica e nossos princípios, e agora cabe a eles decidir se podem ou não conquistar nossa confiança”.
۱/پیش از مذاکرات تأکید کردم که ما حسن نیت و ارادهٔ لازم را داریم ولی به دلیل تجربیات دو جنگ قبلی، اعتمادی به طرف مقابل نداریم.
همکاران من در هیئت ایرانی میناب۱۶۸ ابتکارات رو به جلویی مطرح کردند ولی طرف مقابل در نهایت نتوانست در این دور از مذاکرات اعتماد هیئت ایرانی را جلب کند.
— محمدباقر قالیباف | MB Ghalibaf (@mb_ghalibaf) April 12, 2026
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, apontou no sábado (11/04) que a rodada de negociações terminou sem um acordo final devido às “exigências excessivas” apresentadas pela delegação estadunidense.
Apesar da falta de um acordo abrangente, Baqaei afirmou que ambos os lados “chegaram a alguns pontos em comum em diversas questões”, embora “persistam divergências de opinião em dois ou três assuntos importantes”. O diplomata observou que esta foi a sessão de diálogo mais longa do último ano, com duração total de 24 a 25 horas.
O representante iraniano também expressou sua gratidão ao governo e ao povo do Paquistão pela hospitalidade durante as conversas, mencionando especificamente o primeiro-ministro Shahbaz Sharif, o chefe do Estado-Maior do Exército, marechal de campo Asim Munir, e o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, Mohammad Ishaq Dar. “Estamos confiantes de que os contatos entre o Irã, o Paquistão e nossos outros amigos na região continuarão”, concluiu Baqaei, deixando a porta aberta para uma futura reaproximação diplomática em meio ao conflito regional.
دیپلماسی برای ما ادامه جهاد مقدس مدافعان ایران زمین است. تجربه بدعهدیها و بدسگالیهای آمریکا را فراموش نکرده و نمیکنیم. همانطور که جنایات شنیع ارتکابی آنها و رژیم صهیونیستی در جریان جنگهای تحمیلی دوم و سوم را نخواهیم بخشید.
امروز روز پر کار و طولانی برای هیات نمایندگی جمهوری…
— Esmaeil Baqaei (@IRIMFA_SPOX) April 12, 2026
Por sua vez, do lado norte-americano, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que liderou a equipe de negociação de seu país, indicou que deixou suas “linhas vermelhas” muito claras — ou seja, o que Washington estava “disposto a aceitar e o que não estava” —, mas o Irã rejeitou seus termos. Vance se recusou a especificar quais pontos Teerã não aceitou.
O vice-presidente ainda revelou que estava em constante contato com Donald Trump. “Estamos indo embora com uma proposta muito simples: um entendimento que esta é a nossa melhor e última oferta. Vamos ver se os iranianos a aceitam”, concluiu.
Continuação do cessar-fogo
O Paquistão, mediador das negociações, fez um apelo neste domingo para que o cessar-fogo de duas semanas anunciado na terça-feira (07/04) continue a ser respeitado, apesar do fracasso das conversas. Até o momento, os Estados Unidos e o Irã não se pronunciaram sobre o futuro da trégua, que deve expirar em 22 de abril.
Além disso, também permanece em aberto a questão do desbloqueio completo do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota crucial para o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico.
Em meio a esse impasse, o Exército dos Estados Unidos afirmou no sábado que dois de seus navios de guerra atravessaram o estreito em uma operação preparatória para a retirada das minas do local. No entanto, a Guarda Revolucionária das Forças Armadas do Irã negou e advertiu na madrugada deste domingo que agiria com “severidade” contra embarcações militares que transitassem pela região.























