Segunda-feira, 20 de abril de 2026
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A União Europeia reagiu nesta segunda-feira (16/03) às recentes declarações do presidente norte-americano Donald Trump ao afirmar que o Estreito de Ormuz está fora do raio de ação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A posição se deu após, na noite anterior, o republicano, durante entrevista ao jornal Financial Times, ter cobrado da aliança militar medidas para liberar o trânsito de navios nessa via marítima. 

“Estivemos em contato com a OTAN anteriormente, mas isso realmente está fora da área de ação da OTAN”, declarou a alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, à margem de uma reunião ministerial do bloco. “Não há países da OTAN no Estreito de Ormuz”.

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Entretanto, Kallas disse ter conversado com o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, sobre a ideia de desbloquear a hidrovia para exportação de petróleo por meio de uma iniciativa semelhante ao acordo que permitiu a saída de cereais da Ucrânia.

“Durante o fim de semana, falei com o secretário-geral da ONU, António Guterres, se seria possível ter o mesmo tipo de iniciativa [no Estreito de Ormuz] que tivemos no Mar Negro para tirar cereais da Ucrânia”, afirmou a chefe da diplomacia europeia. Segundo ela, o bloqueio do estreito é “muito perigoso” para o abastecimento de petróleo, “mas também é problemático para os fertilizantes”.

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“Se houver falta de fertilizantes neste ano, vai haver privação alimentar no próximo. Portanto, discutimos com Guterres como é que seria possível concretizar” essa iniciativa, afirmou.

O Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás natural do Golfo Pérsico e foi bloqueada pelo Irã em represália à guerra lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, provocando uma disparada nos preços globais de produtos energéticos.

No domingo (15/03), Trump ameaçou a OTAN dizendo que a aliança teria um “futuro muito negativo” se não ajudasse a garantir a abertura do Estreito de Ormuz. Alegou ainda que os países-membros dependem mais do petróleo do Golfo Pérsico do que os Estados Unidos. Ele também afirmou que “a China também deveria ajudar, porque obtém 90% de seu petróleo do estreito”.

“Se não houver alguma resposta, ou se a resposta for negativa, acredito que será muito prejudicial para o futuro da OTAN”, salientou o presidente norte-americano. Antes disso, ele já havia feito apelo semelhante para China, Coreia do Sul, França, Japão e Reino Unido.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, também declarou que Ormuz não é “responsabilidade” da aliança militar, enquanto o porta-voz do chanceler Friedrich Merz, Stefan Kornelius, disse que a guerra no Irã “não tem nada a ver com a OTAN”. Por sua vez, o premiê britânico, Keir Starmer, garantiu que a reabertura do estreito “não será e nunca foi imaginada como uma missão” da organização ocidental.

A União Europeia reagiu às recentes declarações de Donald Trump afirmando que o Estreito de Ormuz está fora do raio de ação da OTAN
Wikimedia Commons/Egert Kamenik

Irã nunca confiou nos EUA

Ainda nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse que o Estreito de Ormuz não havia sido fechado apesar das tensões, mas que o país estava controlando os movimentos de navios pela estrada marítima estratégica.

“Navios de alguns países passaram pelo Estreito de Ormuz em coordenação com a República Islâmica do Irã”, disse ele, acrescentando que a nação persa “sempre foi a guardiã do Estreito de Ormuz e da passagem segura dos navios.”

Segundo ele, o aumento das medidas de segurança no estreito foi uma resposta à guerra imposta pelos EUA e Israel.

Baghaei ainda ressaltou que o país nunca confiou em Washington durante suas negociações. De acordo com o porta-voz, as negociações foram conduzidas com Teerã de olhos bem abertos e com absoluta desconfiança do outro lado, sem hesitar em se engajar nas tratativas.

“Teerã havia participado de conversas em parte para demonstrar à comunidade internacional que não era responsável pelo conflito”, acrescentou.

(*) Com Ansa