‘Fora do raio de ação’, diz UE após Trump cobrar ajuda da OTAN no Estreito de Ormuz
Contra ameaças do republicano, chefe de diplomacia do bloco, Kaja Kallas, ressaltou que bloqueio iraniano na rota marítima não é responsabilidade da aliança militar
A União Europeia reagiu nesta segunda-feira (16/03) às recentes declarações do presidente norte-americano Donald Trump ao afirmar que o Estreito de Ormuz está fora do raio de ação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A posição se deu após, na noite anterior, o republicano, durante entrevista ao jornal Financial Times, ter cobrado da aliança militar medidas para liberar o trânsito de navios nessa via marítima.
“Estivemos em contato com a OTAN anteriormente, mas isso realmente está fora da área de ação da OTAN”, declarou a alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, à margem de uma reunião ministerial do bloco. “Não há países da OTAN no Estreito de Ormuz”.
Entretanto, Kallas disse ter conversado com o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, sobre a ideia de desbloquear a hidrovia para exportação de petróleo por meio de uma iniciativa semelhante ao acordo que permitiu a saída de cereais da Ucrânia.
“Durante o fim de semana, falei com o secretário-geral da ONU, António Guterres, se seria possível ter o mesmo tipo de iniciativa [no Estreito de Ormuz] que tivemos no Mar Negro para tirar cereais da Ucrânia”, afirmou a chefe da diplomacia europeia. Segundo ela, o bloqueio do estreito é “muito perigoso” para o abastecimento de petróleo, “mas também é problemático para os fertilizantes”.
“Se houver falta de fertilizantes neste ano, vai haver privação alimentar no próximo. Portanto, discutimos com Guterres como é que seria possível concretizar” essa iniciativa, afirmou.
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás natural do Golfo Pérsico e foi bloqueada pelo Irã em represália à guerra lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, provocando uma disparada nos preços globais de produtos energéticos.
No domingo (15/03), Trump ameaçou a OTAN dizendo que a aliança teria um “futuro muito negativo” se não ajudasse a garantir a abertura do Estreito de Ormuz. Alegou ainda que os países-membros dependem mais do petróleo do Golfo Pérsico do que os Estados Unidos. Ele também afirmou que “a China também deveria ajudar, porque obtém 90% de seu petróleo do estreito”.
“Se não houver alguma resposta, ou se a resposta for negativa, acredito que será muito prejudicial para o futuro da OTAN”, salientou o presidente norte-americano. Antes disso, ele já havia feito apelo semelhante para China, Coreia do Sul, França, Japão e Reino Unido.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, também declarou que Ormuz não é “responsabilidade” da aliança militar, enquanto o porta-voz do chanceler Friedrich Merz, Stefan Kornelius, disse que a guerra no Irã “não tem nada a ver com a OTAN”. Por sua vez, o premiê britânico, Keir Starmer, garantiu que a reabertura do estreito “não será e nunca foi imaginada como uma missão” da organização ocidental.

A União Europeia reagiu às recentes declarações de Donald Trump afirmando que o Estreito de Ormuz está fora do raio de ação da OTAN
Wikimedia Commons/Egert Kamenik
Irã nunca confiou nos EUA
Ainda nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse que o Estreito de Ormuz não havia sido fechado apesar das tensões, mas que o país estava controlando os movimentos de navios pela estrada marítima estratégica.
“Navios de alguns países passaram pelo Estreito de Ormuz em coordenação com a República Islâmica do Irã”, disse ele, acrescentando que a nação persa “sempre foi a guardiã do Estreito de Ormuz e da passagem segura dos navios.”
Segundo ele, o aumento das medidas de segurança no estreito foi uma resposta à guerra imposta pelos EUA e Israel.
Baghaei ainda ressaltou que o país nunca confiou em Washington durante suas negociações. De acordo com o porta-voz, as negociações foram conduzidas com Teerã de olhos bem abertos e com absoluta desconfiança do outro lado, sem hesitar em se engajar nas tratativas.
“Teerã havia participado de conversas em parte para demonstrar à comunidade internacional que não era responsável pelo conflito”, acrescentou.
(*) Com Ansa
























