Governo iraniano critica ‘inação’ da agência nuclear ao acusar agressões contra instalações do país
Chefe da Organização de Energia Atômica iraniano exigiu condenação explícita a recentes ataques dos EUA e Israel perto da usina Bushehr, alertando contra liberação de materiais radioativos
Em carta, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI, na sigla em inglês), Mohammad Eslami, convocou nesta segunda-feira (06/04) a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a condenar explicitamente os recentes ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel nas proximidades da usina nuclear Bushehr, no sul da nação persa. O comunicado afirma que a inação do órgão de fiscalização nuclear das Nações Unidas (ONU) “encoraja agressão” contra instalações nucleares iranianas.
A mensagem dirigida a Rafael Grossi, diretor da AIEA, observou que, no último sábado (04/04), por volta das 8h30 pelo horário local, ataques aéreos e de mísseis atingiram a área ao redor do perímetro da Unidade 1 (BNPP-1), o que resultou em danos significativos a uma instalação no local, a morte de um agente de segurança e ferimentos em várias outras vítimas.
Eslami enfatizou que este incidente marca o quarto ataque à unidade e alertou que tais ações podem comprometer a integridade do reator operacional, levando à possível liberação de materiais radioativos, ou seja, “consequências irreparáveis” para pessoas, meio ambiente e países vizinhos.
A carta denunciou o ataque como uma grave ameaça ao quadro internacional de não proliferação ao enfatizar que as ações inimigas contrariam o princípio que proíbe atingir instalações nucleares protegidas em Estados que fazem parte do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Eslami também explicou que as operações militares em questão violam as Convenções de Genebra e seus protocolos associados: o Estatuto da AIEA, o TNP, o Acordo Abrangente de Salvaguardas do Irã (INFCIRC/214), bem como resoluções aprovadas pelo Conselho de Governadores da AIEA e os padrões de segurança da agência.
Desta forma, o chefe da AEOI criticou “falta de ação decisiva” da agência, dizendo que meras expressões de “profunda preocupação” sem uma condenação contundente a esses atos são nsuficientes. Ele alertou que essa postura pode encorajar os agressores a empreender novos ataques.
(*) Com Tasnim
























