Segunda-feira, 20 de abril de 2026
APOIE
Menu

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã tem consumido rapidamente parte significativa do arsenal norte-americano estocado pelo Departamento de Defesa, afirma reportagem do Financial Times, publicada nesta quinta-feira (12/03).

Fontes afirmaram ao jornal que a administração Trump já usou anos de estoques de munições críticas nas primeiras fases da campanha militar, iniciada em 28 de fevereiro; e que o ritmo intenso dos ataques, especialmente utilizando mísseis de longo alcance, pode levar a um desgaste expressivo das reservas militares.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Entre os armamentos mais utilizados estão os mísseis Tomahawk, um dos principais sistemas de ataque de precisão da Marinha dos Estados Unidos. O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) estima que foram disparados cerca de 168 desses mísseis nas primeiras 100 horas de ataques contra o território iraniano.

Nos últimos cinco anos, as Forças Armadas norte-americanas compraram apenas 322 Tomahawks, incluindo 57 reservados para o ano fiscal de 2026. Fontes militares ouvidas pelo FT estimam que o uso maciço de Tomahawk poderá impactar os estoques da Marinha por vários anos.

Mais lidas

Fabricado pela empresa de armamentos RTX, cada Tomahawk, um míssil de cruzeiro subsônico com ogiva de aproximadamente 454 quilos, custa cerca de US$ 3,6 milhões por unidade.

Governo Trump consome anos de armamentos estocados em guerra no Irã
Kenneth Moll / U.S. Navy – Wikimedia Commons

Custos escalam

O custo da operação militar também escala rapidamente. Segundo dados apresentados pelo Departamento de Defesa ao Congresso, os primeiros seis dias da guerra já consumiram mais de US$ 11 bilhões, grande parte destinada à reposição de munições e uso de sistemas de defesa aérea avançados.

O senador democrata e veterano da Força Aérea, Mark Kelly, destacou o alto custo dos sistemas utilizados. “Os projéteis que estamos disparando — Patriot, THAAD — custam milhões de dólares cada”, afirmou ao MS Now, acrescentando que os drones Shahed, usados pelo Irã, custam cerca de US$ 30 mil. “Os cálculos não fecham”, disse.

O embaixador dos Estados Unidos na OTAN, Matthew Whitaker, por sua vez, mencionou os elevados custos do sistema antimísseis Patriot. “Cada disparo custa US$4 milhões”, disse, ao ponderar que a eficácia do sistema é de 96% a 98%, “mas é excessivamente caro, especialmente comparado com drones [iranianos] muito baratos de fabricar”. Ele afirmou que os Estados Unidos estão testando novas tecnologias em “laboratórios de campo” para aprimorar a defesa contra drones iranianos.

Pedido por recursos

O custo crescente da campanha militar é visto com preocupação neste ano de eleições parlamentares, as chamadas midterms, nas quais a desaprovação à guerra pode comprometer a maioria que os republicanos e o presidente norte-americano, Donald Trump, detêm em ambas Casas Legislativas.

O Pentágono deverá solicitar ao Congresso, nos próximos dias, um aumento de até US$ 50 bilhões no orçamento militar para sustentar a operação “Fúria Épica” conjunta entre Estados Unidos e Israel.

A senadora republicana Lisa Murkowski já afirmou que o Capitólio não irá conceder um “cheque em branco” ao governo sem explicações detalhadas.