O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, qualificou de ‘crime de guerra’ e cobrou posicionamento da comunidade internacional, após a ofensiva dos Estados Unidos, na noite desta terça-feira (01/09), atingir uma residência onde era celebrado um casamento, na cidade de Sirik, em Hormozgan.
“A verdade dessa guerra ilegal de escolha – e o verdadeiro rosto do crime de guerra – está em Sirik, onde uma cerimônia de casamento foi brutalmente bombardeada como parte da luta desesperada dos Estados Unidos para esconder seu fracasso”, afirmou Baghaei, em publicação no X.
Em outra mensagem, o porta-voz complementou. “O catálogo de atrocidades dos Estados Unidos contra o Irã está agora completo: uma residência em Kuhestak, Sirik, foi brutalmente atacada esta noite enquanto famílias celebravam um casamento. Mais de 50 homens, mulheres e crianças inocentes foram martirizados ou feridos”, afirmou Baqaei, em publicação no X.
O ataque ocorreu durante uma ofensiva contra diferentes pontos do país. As autoridades de Hormozgan divulgaram os nomes de quatro mortos durante a celebração: Amir Ali Karimi, de 4 anos; Mohammed Mollahi, de 16; Kolsoom Mollahi Najhandania, de 43; e Zarkhatoon Taheri, de 50 anos. Outras 67 pessoas encontram-se feridas.
Baqaei relacionou o episódio aos ataques norte-americanos contra as cidades de Minab, Lamerd e a ilha de Qeshm. “O Irã responderá a esses crimes brutais com firmeza”, acrescentou o porta-voz.
Bagaei alertou para a tentativa de normalização dos ataques contra Teerã. “Mais perigoso do que a própria bomba é a normalização dos bombardeios; e mais perigoso do que o silêncio é a conversão do silêncio em legitimidade”, declarou.
Ele também advertiu à comunidade internacional de que a ausência de condenação pode estimular novos ataques. “Governos e instituições internacionais que permanecem em silêncio diante de tamanha barbárie, ou que buscam justificar tais atos, devem compreender que seu silêncio não é neutralidade”, afirmou.
“Quando ataques ilegais e crimes brutais são acobertados por conveniência política, a linha que separa condenar um crime de normalizá-lo desaparece. Aqueles que se calam hoje não estarão imunes às consequências amanhã. Ignorar a injustiça não a contém, apenas encoraja os perpetradores”, acrescentou.

Irã acusa ‘atrocidade’ dos EUA após ataque atingir casamento e adverte países: ‘silêncio não é neutralidade’
Marzieh Mousavi/ IRNA
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também reagiu ao episódio, acusando as forças norte-americanas de matarem crianças no país: “escola de Minab: crianças massacradas. Ginásio de Lamerd: crianças assassinadas. Casamento em Kuhestak: crianças mortas junto com suas famílias”, postou na plataforma X.
E acrescentou: “se um poder age como Satanás, escolhe alvos como Satanás e mata como Satanás, é Satanás”.
Pelo menos 18 pessoas foram mortas durante a ofensiva norte-americana desta noite. Além das quatro mortes durante o casamento, em Kuhestak, sete morreram na província de Khuzistão. Outros quatro integrantes da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) foram mortos na província ocidental de Kermanshah e três integrantes da força paramilitar Basij, na ilha de Lavan.
A resposta iraniana contra os ataques foi imediata. Ao longo da noite e madrugada desta quarta-feira (02/09), as forças militares do Irã atingiram bases norte-americanas em cinco países: Jordânia, Iraque, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Na Jordânia, o IRGC afirmou ter lançado um ataque “pesado” com mísseis balísticos contra a Base Aérea Prince Hassan, onde, segundo Teerã, foram destruídos drones norte-americanos RQ-4 e MQ-9. As forças iranianas também anunciaram ataques contra outra instalação utilizada por militares dos Estados Unidos no país.
No Iraque, a Guarda Revolucionária realizou um ataque combinado de mísseis e drones contra instalações norte-americanas em Erbil, na região do Curdistão iraquiano. Segundo o IRGC, foram atingidos um centro de manutenção, depósitos de equipamentos técnicos, tanques de combustível e o sistema de controle de um balão de vigilância dos EUA. A Guarda afirmou ainda que militares norte-americanos morreram na ofensiva, mas não apresentou um balanço e não há confirmação independente das alegadas baixas.
No Bahrein, drones iranianos atingiram a Base Aérea Sheikh Isa, tendo como alvos instalações de radar e pontos de concentração de forças norte-americanas. No Kuwait, o IRGC anunciou ataques com mísseis e drones contra a Base Aérea Ali Al Salem, incluindo o quartel-general, alojamentos utilizados pelo comando norte-americano e instalações relacionadas à operação de drones.
Nos Emirados Árabes Unidos, as forças iranianas também anunciaram ataques contra instalações militares utilizadas pelos Estados Unidos.
A Sociedade do Crescente Vermelho do Irã (IRCS) também enviou uma carta ao Tribunal Penal Internacional (TPI) pedindo medidas legais e uma investigação sobre o ataque norte-americano à cerimônia de casamento em Kuhestak.
“Considerando o caráter civil do local, que teria sido palco de uma cerimônia de casamento familiar, bem como a presença de civis no local, o incidente levanta sérias preocupações sob o direito internacional humanitário e justifica uma investigação independente, imparcial, completa e eficaz”, afirma a organização.
Segundo a entidade, um ataque realizado com conhecimento de que provocaria perdas civis excessivas em relação à vantagem militar esperada, o que constitui um crime de guerra.
“Lançar intencionalmente um ataque, sabendo que tal ataque causará perda incidental de vidas civis ou ferimentos a civis que seriam claramente excessivos em relação à vantagem militar geral concreta e direta prevista, pode, sujeita às condições e elementos prescritos pelo Estatuto de Roma, dar origem à responsabilidade penal individual nos termos do direito penal internacional”, declarou a IRCS.