Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
APOIE
Menu

O governo do Irã acusou os Estados Unidos de cometerem um “crime de guerra” nesta quinta-feira (16/07), após uma série de bombardeios nas proximidades de um hospital pediátrico, especializado no tratamento de câncer, na cidade de Ahvaz, no sudoeste do país.

Os ataques ocorreram na noite desta quarta-feira (15/07), obrigando a retirada de emergência de 211 pacientes em tratamento quimioterápico, muitos deles crianças em estado grave. A unidade foi totalmente evacuada e está temporariamente fora de funcionamento.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Siga!
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize!

Em mensagem publicada nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghai, classificou a ação como um “ataque bárbaro” e comparou a ofensiva às operações militares israelenses contra instalações de saúde na Faixa de Gaza.

“Este ataque bárbaro, que faz lembrar as atrocidades cometidas por Israel contra instalações de saúde, causou grande sofrimento e ansiedade às crianças hospitalizadas e exigiu a retirada de emergência de 211 pacientes em tratamento de quimioterapia. Isto constitui um crime de guerra covarde contra os seres humanos mais inocentes, crianças que lutam bravamente pelas suas vidas”, lamentou Baghai.

Mais lidas

Irã acusa EUA de ‘crime de guerra’ após ataques próximos a hospital de crianças com câncer
RS/ Fotos Públicas

Ele acrescentou que “aqueles que pregam incessantemente os direitos humanos, mas fecham deliberadamente os olhos aos ataques contra hospitais e centros de saúde, perderam toda a credibilidade moral”.

O diretor da unidade, Reza Bazar, afirmou à Al Jazeera que a infraestrutura hospitalar foi afetada pelos ataques norte-americanos, embora não haja relatos de vítimas dentro do prédio. Já o diretor do hospital, Majid Bou’azar, acrescentou que trata-se de “pacientes especiais, incluindo pacientes com câncer, que estão hospitalizados aqui”.

“Infelizmente, a área ao redor foi fortemente bombardeada. Alguns dos pacientes estavam em oxigênio e ventiladores”, afirmou.

Alvos ao norte

Enquanto Teerã denunciava o ataque ao hospital, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou uma nova onda de bombardeios contra instalações militares iranianas, incluindo alvos mais ao norte do país e áreas próximas à capital, Teerã, atingidas pela primeira vez desde o início da atual escalada.

Segundo o CENTCOM, os ataques tiveram como objetivo “degradar ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar marinheiros inocentes” no Estreito de Ormuz. Os militares norte-americanos também afirmaram ter “desativado” um petroleiro que navegava em direção a um porto iraniano com o uso de mísseis Hellfire.

A imprensa iraniana informou explosões na Ilha de Qeshm, além das cidades portuárias de Bandar Abbas e Chabahar.

Contra-ataques do Irã

O Irã, por sua vez, informou ter realizado ataques retaliatórios contra bases militares dos Estados Unidos no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia. Ao mesmo tempo, as Forças Armadas do Kuwait anunciaram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram novos “drones hostis” durante a madrugada.

Nesta quinta-feira (16/07), o porta-voz das Forças Armadas iranianas, Mohammad Akraminia, afirmou que Teerã não pretende confrontar os países vizinhos do Oriente Médio, mas advertiu que a guerra poderá se expandir caso Washington mantenha os ataques.

“O Irã não tem intenção de confrontar seus países vizinhos ou as nações islâmicas da região. Tem enfatizado consistentemente a ampliação da cooperação e o desenvolvimento de relações fraternas com os Estados da região.”

No entanto, acrescentou, “as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para salvaguardar a segurança e os interesses nacionais do país”. Segundo Akraminia, “uma parte significativa das capacidades das forças armadas ainda não foi demonstrada”.

“Caso quaisquer ações hostis contra o país continuem, a resposta do Irã será proporcional às circunstâncias e superará as expectativas do inimigo, abrindo novos campos de confronto”, afirmou o porta-voz iraniano.