Irã acusa EUA de violarem memorando de cessar-fogo após novas sanções
Teerã afirma que medidas contradizem artigos 9 e 10 do pacto assinado em junho; Trump ameaça lançar mil mísseis contra país persa caso haja tentativa de assassinato
A República Islâmica do Irã rejeitou as novas sanções anunciadas pelo Departamento do Tesouro e pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA, argumentando que essas medidas violam artigos essenciais do Memorando de Entendimento assinado em junho passado.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi, declarou em sua conta no Twitter que as ações do governo Trump constituem uma “violação específica” do acordo e enfatizou que, até o momento, “o Irã cumpriu seus compromissos, ao contrário do autoproclamado secretário do Tesouro dos EUA”.
As sanções foram confirmadas na sexta-feira (10/07) em um comunicado divulgado nas redes sociais pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, que declarou: “O Tesouro continuará a usar todos os meios à sua disposição para isolar o Irã e outras elites do regime do sistema financeiro global.”
As medidas incluem restrições contra oito indivíduos e seis entidades, entre elas Ali Ansari, que Washington identificou como um suposto “facilitador financeiro iraniano”. Teerã também é acusada de obstruir a navegação no Estreito de Ormuz.
Today, following Iran’s resumption of attacks on international shipping in the Strait of Hormuz, Treasury’s Office of Foreign Assets Control (OFAC) sanctioned an Iranian financial facilitator who has effectively institutionalized large‑scale embezzlement within the Iranian…
— Treasury Department (@USTreasury) July 10, 2026
Segundo o governo iraniano, essas disposições contradizem o Artigo 9 do documento, que estipulava que os Estados Unidos não imporiam novas sanções até que um acordo final fosse alcançado. Elas também violam o Artigo 10, que concedeu uma isenção temporária ao setor energético iraniano para permitir as exportações de petróleo como parte do acordo preliminar.
O pacto assinado em 18 de junho estipulava que o trânsito pelo estreito deveria ser realizado de acordo com as regras estabelecidas pelo Irã. No entanto, Washington acusa Teerã de realizar bloqueios navais e impor rotas alternativas para Omã, o que está aumentando as tensões na região.
Nesse contexto, o governo Trump insinuou que as negociações continuam, embora um cessar-fogo ainda não tenha sido estabelecido. O Irã, por sua vez, reiterou sua disposição de tomar as medidas necessárias para defender seus interesses e não ceder à pressão dos EUA.
A situação reflete um cenário de escalada diplomática e militar, onde ambos os lados se acusam mutuamente, nos últimos dias, de descumprimento dos compromissos assumidos, embora o Irã mantenha seu desejo de consolidar a estabilidade alcançada após a cessação das hostilidades.
Trump alerta que os EUA ‘dizimariam e destruiriam’ o Irã por tentativa de assassinato
O presidente Donald Trump alertou na sexta-feira que os Estados Unidos “dizimariam e destruiriam” o Irã caso o país persa realizasse uma tentativa de morte contra ele.
“Mil mísseis estão prontos para serem lançados contra a República Islâmica do Irã, com milhares de outros a serem disparados imediatamente em seguida, caso o governo iraniano cumpra sua ameaça, proferida em vários cantos do mundo, de assassinar, ou tentar assassinar, o atual presidente dos Estados Unidos da América, neste caso, EU!”, escreveu Trump no Truth Social.
O republicano afirmou já ter instruído as forças armadas dos EUA a estarem preparadas para retaliar caso o Irã realize uma tentativa de assassinato contra ele.
“As ordens já foram dadas, e as Forças Armadas dos EUA estão prontas, dispostas e aptas, por um período de um ano, sujeito a prorrogação, a dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã – GLÓRIA A DEUS!” disse Trump.
Os comentários de Trump surgiram um dia depois de The Wall Street Journal ter noticiado que a inteligência israelense havia compartilhado recentemente informações com autoridades americanas indicando que o Irã estava considerando um novo plano para assassinar o presidente.
(*) com informações de teleSUR























