A reunião entre os chanceleres dos países do Golfo, prevista para esta segunda-feira (14/09), em Omã, foi adiada ante a escalada dos confrontos no Iêmen, envolvendo as forças houthis e o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita.
Durante o encontro, seriam apresentados os resultados das negociações entre Irã e Omã para o reestabelecimento de rotas seguras para a navegação comercia pelo Estreito de Ormuz. Ao anunciar o adiamento, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que “se a reunião tivesse ocorrido, teria sido uma oportunidade muito adequada [para discutir a nova política]”.
“Não creio que qualquer país responsável aceitaria, de qualquer forma, ser ditado ou submetido a pressão por forças externas”, acrescentou, durante uma coletiva de imprensa em Teerã.
Baghaei também negou qualquer envolvimento de Teerã na atual escalada dos houthis, que avançaram pela costa do Mar Vermelho e vem conquistando posições estratégicas no Estreito de Bab al-Mandeb, desde a semana passada.
“Não temos qualquer relação com o que está acontecendo no Iêmen. O Irã não interfere nos assuntos iemenitas”, afirmou. “Muitos países estão se aproveitando dos acontecimentos para criar atrito entre o Irã e outros países da região”, acrescentou.
No domingo (13/09), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, também se manifestou. “Acreditamos que não há solução militar para a questão do Iêmen e que o futuro do país deve ser determinado pelos próprios iemenitas, por meio do diálogo e de um processo político inclusivo”, afirmou.

Nesta segunda-feira (14/09), a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, criada para administrar os pedidos de passagem por Ormuz, divulgou uma lista atualizada de 77 embarcações acusadas de “violar os protocolos iranianos”.
“As companhias de seguros, os clubes de proteção e indenização (P&I) e as sociedades classificadoras são alertadas para que se abstenham de prestar serviços a essas embarcações, a fim de evitar consequências decorrentes de negociações com elas”, afirmou a autoridade iraniana.
Segundo o órgão, os navios listados poderão enfrentar restrições futuras, incluindo multas, detenção ou confisco. Embarcações que cooperarem com navios sancionados ou com os “países inimigos” também poderão ser incluídas na relação.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou ter interceptado e destruído um drone MQ-1 que sobrevoava a região, também nesta segunda (14/09). A aeronave foi abatida pelo novo sistema de defesa aeroespacial da Guarda Revolucionária, segundo o comunicado divulgado pela agência Tasnim.
A combinação entre o fechamento do oleoduto saudita, os ataques dos houthis e a insegurança na navegação pelo Estreito de Ormuz voltou a pressionar fortemente os mercados nesta segunda-feira (14/09).
Por volta das 9h30 GMT, os contratos futuros do petróleo Brent avançavam US$ 3,43, cerca de 3,3%, para US$ 108,04 por barril. O WTI, referência nos Estados Unidos, subia US$ 3,49, ou 3,5%, para US$ 103,54.
Enquanto isso, a guerra de versões continua. No domingo (13/09), durante viagem à Irlanda, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a prever o fim da guerra contra o Irã após as eleições legislativas norte-americanas de novembro.
“Vai terminar logo depois — talvez antes —, mas vai terminar logo depois das eleições de meio de mandato. O preço da gasolina vai despencar”, afirmou. Trump também sugeriu que os Estados Unidos poderiam permanecer no Irã para controlar suas reservas de petróleo. “No fim, vamos sair [do Irã], a menos que decidamos ficar e ficar com o petróleo, como na Venezuela”, declarou.
O Irã reagiu às declarações de Trump, que também reiterou “controle total” sobre a hidrovia. Teerã afirmou que não reabrirá completamente o estreito enquanto suas exigências relacionadas aos ataques norte-americanos, às reparações e às sanções não forem atendidas.