Irã afirma que cessar-fogo no Líbano é 'condição fundamental' para negociações com EUA
Chanceler Abbas Araghchi declarou que acordo abrange território libanês e que Washington e Tel Aviv devem ser responsabilizados por violação da trégua
O governo iraniano voltou a afirmar nesta segunda-feira (01/06) que o cessar-fogo firmado com os Estados Unidos abrange todas as frentes de conflito no Oriente Médio, incluindo o Líbano, e advertiu que qualquer ação militar israelense ou norte-americana contra o território libanês representa uma violação do acordo.
As declarações foram feitas após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenar a escalada de ataques contra os subúrbios do sul de Beirute. Em mensagem publicada na rede social X, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o acordo alcançado entre Teerã e Washington possui caráter abrangente e vinculante para toda a região.
“O cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos é considerado, sem qualquer ambiguidade, um cessar-fogo abrangente em todas as frentes, incluindo o Líbano. Qualquer violação desse cessar-fogo em uma das frentes constitui uma violação em todas as frentes. Os Estados Unidos e Israel assumem a responsabilidade pelas consequências de qualquer violação do armistício.”
A posição iraniana foi reforçada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei. Ele disse que a manutenção da trégua no Líbano é condição indispensável para qualquer entendimento destinado a encerrar a guerra. Durante uma coletiva de imprensa, Baghaei declarou: “Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição fundamental para qualquer acordo que vise acabar com a guerra.”

Irã afirma que cessar-fogo no Líbano é ‘condição fundamental’ para negociações com EUA
Mohammadhosein Moyahedinejat/Tasnim
Negociações avançam
Segundo o porta-voz, as negociações indiretas continuam avançando por meio da mediação do Paquistão, enquanto aspectos financeiros do acordo seguem sendo analisados após uma rodada de conversas realizada no Catar. Baghaei classificou a visita recente da equipe negociadora iraniana a Doha como produtiva.
Teerã descartou que existam atualmente negociações nucleares em andamento com Washington. Baghaei afirmou que a prioridade do governo iraniano permanece concentrada no encerramento do conflito militar. “Sabemos quando é necessário agir em questões nucleares”, disse. “Nenhuma negociação foi realizada sobre os detalhes do arquivo nuclear. Neste momento, nossa prioridade é acabar com a guerra”, acrescentou.
O porta-voz também acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo por meio de ações militares recentes contra alvos iranianos. “O Irã tomará todas as medidas que considerarmos necessárias para defender a segurança nacional do país”, afirmou.
A declaração ocorre após as Forças Armadas dos EUA reivindicarem ataques contra instalações de radar e drones nas proximidades da cidade iraniana de Goruk e na Ilha de Qeshm, operações classificadas por Washington como “ataques de autodefesa”.
Estreito de Ormuz
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, também se pronunciou. Em declarações divulgadas pela emissora estatal IRIB, o diplomata afirmou que Irã e Omã são os únicos países com legitimidade para exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz.
Segundo ele, Teerã implementou um novo mecanismo para “controlar o tráfego e a navegação” na região, em coordenação com Mascate. Gharibabadi também afirmou que o governo iraniano pediu a Omã que “não ceda” às pressões dos Estados Unidos após o presidente Donald Trump ameaçar “explodir” o país caso ele não “se comporte como todo mundo” em relação ao estreito.
























