Irã afirma que responderá 'firmemente' caso EUA e Israel descumpram acordo
Declaração ocorre após Donald Trump dizer que Exército iraniano ‘não existe mais’ e que Teerã aceitou ‘praticamente tudo’ nas negociações
Os ataques militares entre Washington e Teerã cessaram em meio ao avanço das negociações do memorando de entendimento, mas a guerra de narrativas entre os países continua. Nesta quinta-feira (02/06), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter “liquidado” as forças iranianas, gerando resposta imediata das autoridades do país.
Nesta sexta-feira (03/07), o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que “o Irã responderá firmemente a qualquer agressão” caso os Estados Unidos e Israel descumpram os compromissos assumidos no acordo.
“Teerã também está firmemente comprometida com a plena implementação dos acordos alcançados. No entanto, se os Estados Unidos e o regime sionista não cumprirem seus compromissos, o Irã retomará e tomará as medidas proporcionais necessárias”, declarou o parlamentar.
Qalibaf reiterou que a guerra demonstrou “a incapacidade dos Estados Unidos de derrotar militarmente o Irã”, afirmando que as alegações israelenses sobre a destruição das capacidades militares iranianas “se mostraram propaganda infundada”. Ele ressaltou que, apesar dos ataques, os adversários não conseguiram atingir seus objetivos estratégicos, sendo obrigados a aceitar o cessar-fogo.
‘Resposta decisiva’
Também nesta sexta-feira (03/06), o Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC), que segundo Trump teria sido aniquilado, divulgou um comunicado advertindo que “qualquer ação hostil ou tentativa de explorar a situação atual será recebida com uma resposta decisiva e esmagadora”.
O IRGC acrescentou que a capacidade militar iraniana “não é meramente simbólica”, mas reflete a determinação das Forças Armadas de defender a soberania nacional diante de qualquer agressão.
Nesta quinta-feira (02/07), em meio às conversações em Doha, o Irã anunciou a abertura de um canal direto com Washington voltado à discutir as violações e pendências do acordo.

Irã afirma que responderá ‘firmemente’ caso EUA e Israel descumpram acordo
Agência IRNA
Declarações de Trump
Em entrevista à CNBC, nesta quinta-feira (02/07), o mandatário dos Estados Unidos disse que as negociações entre Washington e Teerã avançaram significativamente. “Estamos negociando e veremos se chegamos a um acordo ou não. Acho que eles aceitaram praticamente tudo o que precisamos”, declarou.
Trump, no entanto, voltou a dizer que o acordo inclui a compra, pelo Irã, de produtos agrícolas norte-americanos. Eles precisam de comida. Precisam de milho, trigo e soja. E vamos garantir que somente nossos agricultores norte-americanos forneçam isso”, afirmou. Teerã vem negando essa informação.
“Eles estão completamente derrotados militarmente. Só lhes restam alguns mísseis. Nós também poderíamos aniquilá-los”, disse Trump, ao detalhar a sequência de ataques que, segundo Teerã, evidenciam uma série de violações das tratativas.
“Na semana passada, eu os ataquei três vezes com muita força porque eles enviaram um drone contra um navio. Eu os ataquei. Depois, eles fizeram outra coisa e eu os ataquei. Ataquei-os três noites seguidas. Na semana anterior, eu os ataquei duas noites seguidas. Com muita força”, disse o mandatário dos Estados Unidos.
‘Exército não existe mais’
Ao defender a estratégia, ele afirmou que “isto não é uma guerra em si. Trata-se de desarmar o Irã das suas armas nucleares (…) Não se pode permitir que tenham uma arma nuclear”, frisou. Segundo Trump, as forças iranianas “não têm mais poder algum” e “seu exército não existe mais”.
Ele também mencionou, em meio às cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, assassinado pelos ataques de 28 de fevereiro: “seus líderes se foram. Sua segunda linha de liderança se foi. Parte de sua terceira linha de liderança se foi. A maioria de seus generais foi aniquilada”, afirmou.
























