Atualizada às 17h10
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste sábado (26/09) a proposta apresentada pelo Irã para suspender as hostilidades no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias. A iniciativa previa o fim do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos, a suspensão de sanções sobre as exportações de petróleo do país e a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano.
“Eu rejeito a proposta deles”, declarou Trump a jornalistas do lado de fora da Casa Branca, antes de viajar para acompanhar uma partida de futebol americano universitário. O presidente afirmou que Teerã quer um acordo porque estaria perdendo a guerra e disse que, embora também tenha interesse em negociar, os termos apresentados pelo governo iraniano não são aceitáveis.
O governo do Irã aguardava uma resposta oficial dos Estados Unidos à proposta que apresentou para reabrir o Estreito de Ormuz. O plano foi transmitido a Washington por intermédio do Catar e apresentado pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
A iniciativa prevê que os Estados Unidos suspendam o bloqueio naval aos portos iranianos, retirem as sanções às exportações de petróleo do país e liberem cerca de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 61,9 bilhões) em ativos iranianos congelados. O plano também condiciona o processo a um cessar-fogo em todas as frentes de combate, incluindo o Líbano. Em contrapartida, o Irã se compromete a restabelecer a passagem marítima pelo estreito e iniciar negociações sobre um acordo definitivo, incluindo a questão nuclear.
Em declarações feitas na sexta-feira (25/09), Araghchi afirmou que o cronograma começaria assim que Washington aceitasse a proposta. Segundo o chanceler, as medidas iniciais levariam de quatro a cinco dias, a reabertura do estreito ocorreria no sexto dia e as negociações para um acordo definitivo começariam no sétimo.
“A escolha agora cabe aos Estados Unidos”, declarou Araghchi, conforme noticiou a emissora catari Al Jazeera. O ministro acrescentou que o Irã não aceitaria coerção, ameaças ou intimidação e não abriria mão de seus direitos soberanos sob pressão.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também afirmou que o país não abandonou a via diplomática. Após encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, em Nova York, Pezeshkian declarou que experiências anteriores haviam reduzido a confiança de Teerã no governo norte-americano. A Presidência iraniana informou que a proposta foi coordenada com a liderança do país.
Além de rejeitar a proposta, Trump publicou neste sábado, em sua rede social, uma imagem do Estreito de Ormuz identificando a passagem como “Estreito de Trump” (Trump Strait). Na quarta-feira (23/09), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia classificado como positivas e construtivas as conversas indiretas realizadas com representantes iranianos por meio de mediadores. As negociações ocorreram após meses sem diálogo efetivo entre os dois governos.
Segundo o Wall Street Journal, Trump também teria manifestado a assessores a expectativa de retomar os bombardeios contra o Irã após as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro.
A proposta iraniana prevê que as negociações sobre o programa nuclear comecem somente após o cumprimento das condições para a reabertura do estreito. Washington, por sua vez, defende que a questão nuclear seja tratada desde o início das negociações.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (22/09), Trump afirmou que não permitiria que o Irã obtivesse uma arma nuclear. A posição também consta de comunicados oficiais da Casa Branca, que defende a interrupção das atividades iranianas que possam levar à produção de armamento nuclear.
A divergência se soma à disputa sobre o controle da navegação em Ormuz. O governo norte-americano afirma que suas forças navais controlam o estreito e mantêm um bloqueio aos portos iranianos. Teerã, por sua vez, reivindica direitos soberanos sobre a região e condiciona a normalização do tráfego marítimo ao levantamento das medidas impostas pelos Estados Unidos.