Irã ameaça resposta 'sem restrições' em caso de novo ataque às instalações energéticas do país
Abbas Araghchi disse que Teerã empregou 'apenas uma fração de sua capacidade militar' nos ataques retaliatórios
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã empregou apenas uma “fração” de sua capacidade militar em ataques à infraestrutura energética regional, após a ofensiva israelenses contra o campo de gás de South Pars, no Irã, na quarta-feira (18/03). Ele alertou que não haverá “nenhuma contenção” em caso de um novo ataque contra as instalações energéticas iranianas.
“Nossa resposta ao ataque de Israel à nossa infraestrutura usou apenas uma fração do nosso poder. A única razão pela qual ficamos de lado foi por respeito à desescalada solicitada. Não haverá contenção se atacarem nossa infraestrutura novamente”, escreveu o ministro nas redes sociais.
O ministro, no entanto, deixou claro que essa postura pode mudar rapidamente caso novos ataques sejam realizados contra o território iraniano. O governo iraniano também condicionou qualquer eventual cessar-fogo a exigências políticas e humanitárias, como a reparação dos danos causados à infraestrutura do país e aos impactos sobre áreas civis atingidas pelos bombardeios.
Retaliação à ataque em South Pars
Uma série de ações em retaliação ao ataque israelense contra o campo de gás iraniano foi realizada pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Nesta manhã, a entidade anunciou uma ofensiva contra a base militar de Al-Dhafra, localizada nos Emirados Árabes Unidos. Também foram realizados ataques em Jerusalém Ocidental, Haifa e bases militares norte-americanas na região.
Nesta quinta-feira (19/03), um míssil iraniano atingiu a Israel Oil Refineries em Haifa, danificando infraestruturas elétricas. No Kuwait, a Petroleum Corporation sofreu um incêndio na refinaria de Mina Al-Ahmadi. No Bahrein, equipes de defesa civil extinguiram um incêndio em um armazém de uma empresa, causado por estilhaços de um ataque iraniano.
O Catar, por sua vez, avalia que o ataque do Irã às instalações de gás de Ras Laffan poderá reduzir a capacidade de exportação de gás natural liquefeito do país em cerca de 17%, o que interromperia o fornecimento para a Europa, Ásia e outras regiões.

Irã ameaça resposta ‘sem restrições’ em caso de novo ataque às instalações energéticas
IRNA
‘Verdadeira Promessa 4’
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou nesta sexta-feira (20/03) a conclusão da 66ª fase da operação “Verdadeira Promessa 4”, que teve como foco bases militares norte-americanas na região e posições israelenses no sul e no centro dos territórios ocupados, incluindo Tel Aviv.
A operação, segundo a IRGC, foi conduzida “com total sucesso” e utilizou um amplo arsenal, incluindo mísseis de médio alcance e drones suicidas, como projéteis com combustível sólido e líquido, alguns com múltiplas ogivas; além de armamentos como Qader, Khorramshahr, Khaybar Shekan, Qiam e Zulfiqar.
Desde o começo da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o número de vítimas no país ultrapassou 1.444 pessoas, segundo o Crescente Vermelho iraniano, incluindo pelo menos 204 crianças e altas autoridades do país, como o líder supremo, o aiatolá Khamenei e o chefe das Forças de Segurança, Ali Larijani. No Líbano, os ataques israelenses já deixaram mais de 1.000 pessoas mortas.
























