Irã amplia ataques contra bases dos EUA nos países do Golfo e afirma: 'é olho por olho'
Forças iranianas bombardeiam hangar de drones MQ9, torre de comunicação e instalações militares no Kuwait e Jordânia, enquanto houthis atingem navio no Mar Vermelho
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou nesta quinta-feira (23/07) um ataque com drone à base aérea de Muwaffaq Al Salti, na Jordânia, além de bombardeios contra instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait. Uma explosão também incendiou um petroleiro no Estreito de Ormuz, após a embarcação tentar utilizar uma rota considerada não autorizada pelo Irã.
Na base aérea de Ali al-Salem, no Kuwait, a corporação afirmou ter “atacado e destruído um grande depósito de equipamentos militares, um sistema de defesa antimíssil Patriot e um hangar de drones americanos MQ9”. Os bombardeios também atingiram alojamentos das forças norte-americanas e dois hangares de helicópteros no quartel de Al-Adiri, além de uma “torre de telecomunicações em resposta aos ataques dos Estados Unidos contra torres de telecomunicações no Irã”, afirma a IRGC.
A Arábia Saudita, por sua vez, confirmou um ataque dos houthis, aliados de Teerã, ao navio estatal Encelia, no Mar Vermelho. Segundo Riad, um incêndio atingiu a proa da embarcação, mas os tripulantes conseguiram deixar o navio, sem ferimentos. Outras seis explosões foram registradas na cidade de Erbil, na região autônoma do Curdistão iraquiano, levando à ativação dos sistemas de defesa aérea norte-americanos.
‘Olho por olho’
Em meio à escalada militar entre os Estados Unidos e o Irã nas últimas semanas, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que qualquer ataque ao território iraniano será respondido na mesma proporção. Nesta quarta-feira (22/07), o chanceler advertiu que a doutrina de defesa de Teerã é baseada no princípio do “olho por olho” e que qualquer país que apoie ações contra o Irã também poderá se tornar alvo.
“Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho. Qualquer agressão contra o Irã, inclusive contra nossa infraestrutura, provocará uma resposta forte e decisiva. Aqueles que contribuírem para tal agressão, independentemente do tipo de apoio, também serão considerados alvos legítimos”, disse.
A declaração foi uma resposta à ameaça do presidente norte-americano, Donald Trump, de bombardear uma usina elétrica para cada ataque a navio no Estreito de Ormuz.

Irã amplia ataques contra bases militares dos EUA no Kuwait e Jordânia e afirma: ‘é olho por olho’
Mostafa Tehrani / Tasnim
Ataques dos Estados Unidos
As forças norte-americanas, por sua vez, atingiram o terminal de passageiros da fronteira de Shalamcheh, na divisa com o Iraque, matando duas pessoas e deixando outras feridas. Teerã destaca que o local é estratégico tanto para o comércio bilateral quanto para o deslocamento de peregrinos religiosos. As autoridades iranianas também relataram um ataque a um depósito na cidade de Ahvaz.
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou ataques contra as províncias de Hormozgan, Bushehr e no Khuzistão, além de explosões nas proximidades de Ahvaz e da cidade portuária de Mahshahr.
Em Hormozgan, foram registradas explosões na cidade de Sirik, especialmente nas áreas de Ziyarat e Bamani. Já em Bushehr, autoridades locais informaram que ataques a uma subestação elétrica, próxima à usina nuclear, provocaram interrupções no fornecimento de energia.
Mortes
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou de uma cerimônia na Base Aérea de Dover, no estado de Delaware, para receber os restos mortais de militares norte-americanos mortos nos ataques recentes. “Temos os melhores equipamentos, mas infelizmente, é isso que acontece quando delegamos a execução da missão a outros”, declarou o presidente, dois dias após o CENTCOM reconhecer oficialmente mortes e feridos entre tropas estacionadas no Iraque e na Jordânia.
O Ministério da Saúde do Irã informou que, desde a retomada da ofensiva norte-americana em 27 de junho, 53 pessoas morreram e 592 ficaram feridas. O porta-voz do Exército iraniano, general de brigada Amir Mohammad Akraminia, advertiu que, caso os ataques norte-americanos à infraestrutura do sul do Irã continuem, as forças iranianas “implementarão novas estratégias e cenários para tornar a guerra impossível para os agressores”.























