Irã amplia ofensiva a bases militares dos EUA e reafirma fechamento de Ormuz
Três petroleiros foram atingidos nas últimas 48 horas; número de marinheiros norte-americanos feridos aproxima-se de 100, reconhece Pentágono
Teerã reafirmou nesta terça-feira (21/07) que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado enquanto os bombardeios norte-americanos continuarem. Ao mesmo tempo, o país intensificou os ataques contra instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait, Bahrein e Jordânia.
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou que um petroleiro sofreu explosões ao tentar utilizar uma “rota sul insegura” em Ormuz. Segundo a corporação, “incêndios em grande escala” atingiram a embarcação, obrigando equipes de resgate a retirar a tripulação. A agência de Operações Marítimas do Reino Unido (UKMTO) confirmou que o petroleiro foi atingido nas proximidades de Limah, na costa de Omã, acrescentando que “a tripulação abandonou a embarcação e está atualmente embarcada em um bote salva-vidas”.
Na segunda-feira (20/07), dois outros petroleiros foram atingidos após forçarem passagem pelo estreito. A IRGC advertiu as companhias de navegação a não confiarem em “informações falsas das Forças Armadas dos Estados Unidos”, e a evitarem rotas perigosas. “É óbvio que, enquanto os males dos Estados Unidos continuarem na região, o Estreito de Ormuz estará fechado, e nem uma gota de petróleo, gás ou pacote de fertilizante químico será exportado da região”, declarou.
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), por sua vez, contestou que a navegação esteja completamente interrompida no estreito, afirmando que o transporte comercial continua. Segundo a corporação, desde o início de maio, as forças norte-americanas facilitaram a passagem de aproximadamente 900 embarcações comerciais e de cargas equivalentes a 450 milhões de barris de petróleo bruto.
Ataques no Kuwait
Enquanto endurece sua posição sobre Ormuz, Teerã amplia os ataques contra ativos norte-americanos na região do Golfo. Quase 100 militares dos Estados Unidos ficaram feridos nas últimas duas semanas por ataques iranianos, segundo o próprio Pentágono. O porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA, Sean Parnell, afirmou que a grande maioria dos feridos sofreu apenas “concussões leves” e que 96% dos militares já haviam retornado ao trabalho. Na última semana, três militares norte-americanos morreram em combate na Jordânia e no Iraque.

Irã amplia ofensiva a bases militares dos EUA e reitera: ‘Ormuz está fechado’
Tasnim
No Kuwait, a IRGC reivindicou ataques contra radares, sistemas antimísseis Patriot, sistemas de comunicação por satélite e outras instalações militares norte-americanas na base Ahmed Al-Jaber. O Exército iraniano informou ter empregado “drones kamikaze” contra três grandes instalações militares dos Estados Unidos no país. Os alvos teriam sido prédios administrativos e antenas no Campo Arifjan, uma área de estacionamento de helicópteros no Campo Al-Adiri e alojamentos de tropas na base Ahmed Al-Jaber.
“A segurança na região foi prejudicada após as travessuras das forças terroristas dos Estados Unidos, e as Forças Armadas da República Islâmica estão tentando restaurar a segurança e a calma na região em sua luta”, disse o Exército iraniano.
Bahrein e Jordânia
No Bahrein, drones foram lançados contra a base norte-americana Sheikh Isa, associada às operações da Quinta Frota da Marinha dos EUA. A Guarda Revolucionária também declarou ter destruído um sistema de defesa aérea e um radar na região de Muharraq, além de um sistema Patriot em Al-Riffa. Teerã reivindicou ainda um ataque contra a infraestrutura central de dados da Amazon, descrita pela IRGC como um alvo comercial norte-americano.
As Forças de Defesa do Bahrein, por sua vez, afirmaram ter interceptado e destruído diversos projéteis iranianos. Em comunicado, acusaram Teerã de utilizar deliberadamente mísseis e drones contra civis e propriedades privadas, classificando a ofensiva como uma “flagrante violação do Direito Internacional Humanitário”.
Já as Forças Armadas jordanianas informaram ter interceptado cinco drones vindos do Irã e afirmaram que todos foram “neutralizados”. O governo declarou que continuará monitorando o espaço aéreo e mantendo a “prontidão operacional” enquanto persistirem as ameaças iranianas. O IRGC, no entanto, afirmou ter atingido um radar de defesa antimísseis e um caça F-15 norte-americano dentro de um abrigo em uma base militar no país.
Ataques norte-americanos
O CENTCOM anunciou a décima noite consecutiva de ataques contra o território do Irã nesta terça-feira. Os ataques foram disparados contra Bandar Abbas, a Ilha de Qeshm, Chabahar, Shiraz e Abdanan, além de outras regiões do país. Segundo a corporação, foram atingidos “centros de comando militar iraniano, capacidades marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea”.
Em Abdanan, província ocidental iraniana de Ilam, autoridades iranianas relataram ataques contra uma instalação em Dinar Kuh. “Felizmente, esse incidente não resultou em vítimas, e as agências responsáveis estão investigando a dimensão do problema”, afirmou o governador Behzad Nourmohammadi. A emissora estatal iraniana IRIB também confirmou explosões a leste e a oeste de Shiraz.
Pressão diplomática
Os ministros das Relações Exteriores da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) manifestaram “séria preocupação com a situação em rápida evolução no Oriente Médio” e advertiram que o aumento das tensões reduz as perspectivas de uma solução pacífica por meio do diálogo e da diplomacia.
O bloco pediu que todas as partes exerçam “máxima autocontenção”, evitem medidas capazes de agravar a situação e promovam uma “cessação completa e imediata das hostilidades em todas as frentes”. Os países também defenderam a restauração da passagem “segura, livre e contínua” das embarcações pelo Estreito de Ormuz.
Nos Estados Unidos, o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, voltou a exigir o encerramento da guerra e prometeu forçar uma nova votação para suspender as operações militares norte-americanas. “Cada segundo que Trump prolonga sua guerra no Irã é mais um segundo em que nossos militares continuam em perigo”, escreveu o senador nas redes sociais.
Segundo ele, os democratas obrigarão os republicanos a votar novamente sobre o fim das operações e a retirada das tropas norte-americanas. “Chega, já chega. Acabem com essa guerra”, acrescentou.























