Irã analisa proposta de cessar-fogo dos EUA e reitera: 'negociação não é coerção'
'É muito possível que façamos acordo’, afirma Trump, enquanto Teerã pede 'boa-fé', advertindo que qualquer 'tentativa de enganação' por parte de Washington terá resposta imediata
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou que o governo iraniano recebeu e está revisando o memorando de entendimento dos Estados Unidos, encaminhado nesta quarta-feira (06/05) pelos mediadores do enclave ao país.
Em postagem nas redes sociais, Baghaei ressaltou que “o conceito de ‘negociações’ exige, no mínimo, uma tentativa genuína de engajar discussões com vista à resolução da disputa”. E acrescentou: “precisa de ‘boa-fé’, então, o que significa que ‘negociação’ não é ‘disputa’; nem é ‘ditado’, ‘engano’, ‘extorsão’ ou ‘coerção’”, rejeitando qualquer tentativa de transformar as conversas diplomáticas em instrumento de pressão política ou militar.
Já o general iraniano Abolfazl Shekarchi, porta-voz das Forças Armadas, o país está preparado para impor uma “derrota humilhante” aos seus adversários caso os Estados Unidos utilizem as negociações como cobertura para novas ofensivas militares. Ele reiterou que Teerã mantém sua estratégia de controle rigoroso do Estreito de Ormuz e advertiu que qualquer tentativa de “enganação” por parte de Washington ou de Israel provocará resposta imediata. O Irã exige o fim do bloqueio naval mantido pelos EUA nos portos iranianos.
Segundo a agência Tasnim, fontes iranianas afirmaram que o texto contém “disposições inaceitáveis”, acusando Washington de utilizar as negociações para justificar sua retirada parcial das operações militares no Golfo Pérsico.

Irã analisa proposta dos EUA para cessar-fogo e reitera: ‘negociação não é coerção’
Mostafa Tehrani / Tasnim
‘Conversas muito boas’
O tom sóbrio de Teerã contrasta com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou que nas últimas 24 horas as conversas entre Washington e Teerã foram “muito boas”. “É muito possível que façamos um acordo”, disse em entrevista à emissora PBS, acrescentando que existe uma “grande chance” de a guerra terminar. Trump, no entanto, reiterou a retórica de ameaças criticada pelo governo iraniano. Ele disse que se o acordo não ocorrer, ‘teremos que voltar a bombardeá-los até o fim”.
Em 3 de maio, o governo iraniano entregou ao Paquistão uma proposta de 14 pontos para paz exigindo garantias formais de não agressão militar, a retirada das forças norte-americanas do entorno iraniano, o encerramento da guerra em múltiplas frentes regionais, incluindo o Líbano, além de compensações financeiras pelo enclave. Trump teria considerado algumas dessas exigências “inaceitáveis”.
Nesta quarta-feira (06/05), Washington encaminhou um memorando de entendimento com 14 pontos para o cessar-fogo, agora analisado pelo governo iraniano. De acordo com informações publicadas pelo portal Axios, o texto prevê um cessar-fogo de 30 dias e a abertura de negociações detalhadas envolvendo o programa nuclear iraniano, o futuro do Estreito de Ormuz e o levantamento gradual das sanções norte-americanas. As conversas poderiam ocorrer em Islamabad, no Paquistão, ou em Genebra, na Suíça.
























