Irã fala em 'desconfiança', mas que negociará com EUA quando manifestarem 'seriedade'
Chanceler iraniano repudiou 'mensagens contraditórias' e ataques norte-americanos em meio às tratativas
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira (15/05) que não tem “confiança” nos Estados Unidos, mas que a nação persa está pronta para prosseguir as negociações caso os norte-americanos manifestem seriedade para alcançar um acordo “justo e equilibrado”. A posição foi dada durante uma coletiva em Nova Délhi, na Índia, às margens do encontro ministerial do BRICS, no contexto das negociações suspensas.
O chanceler iraniano destacou que se trata da segunda vez que Teerã tenta negociar com Washington, mas que é “lamentável” que os norte-americanos interrompam as conversas diplomáticas por meio de ataques enquanto o país persa está em situação de cessar-fogo, apesar de reconhecer a fragilidade do acordo de trégua.
De acordo com a agência Tasnim, Araghchi manifesta que o Irã tenta preservar o cessar-fogo “para criar uma oportunidade para a diplomacia e uma solução negociada” à guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, porém rechaçando qualquer solução militar em relação ao Irã. Ressaltou ainda que o país nunca cedeu e não cederá à pressão ou ameaças externas.
O ministro apontou a desconfiança com os norte-americanos como questão principal nas tratativas. Segundo ele, portanto, as cláusulas devem ser definidas de forma “precisa, clara e transparente” para que um acordo de paz seja viabilizado. “As negociações estão sofrendo com falta de confiança, além de mensagens contraditórias dos Estados Unidos”, afirmou.

Chanceler Abbas Araghchi diz que Irã está pronto para negociar com Estados Unidos desde que país norte-americano manifeste ‘seriedade’
Tasnim
Em relação ao Estreito de Ormuz, Araghchi reforçou que todas as embarcações podem passar pela rota marítima por meio de coordenação da Marinha iraniana, exceto aquelas “em guerra” com Teerã, ou seja, que tenham aliança com as nações agressoras.
Na coletiva, a autoridade iraniana novamente reiterou que o país persa nunca buscou armas nucleares e que prova disso é a assinatura do acordo nuclear de 2015. Enfatizou que o programa nuclear sempre teve caráter pacífico. Já sobre o enriquecimento de urânio, Araghchi descreveu a questão como “muito complexa” e relatou que o Irã e os Estados Unidos chegaram a concordar adiar as discussões para etapas posteriores das negociações. A etapa deverá ser consultada com a Rússia.
O ministro também elogiou a China, ao dizer que o país asiático desempenhou um papel positivo na restauração das relações entre Irã e Arábia Saudita. “Teerã e Pequim mantêm muito boas relações como parceiros estratégicos”, destacou, acrescentando que acolheria qualquer esforço chinês voltado para ajudar a diplomacia.
(*) Com Tasnim
























