Irã ataca bases norte-americanas na Jordânia, Bahrein e Kuwait após bombardeios no sul do país
EUA atingem alvos próximos ao Estreito de Ormuz e áreas costeiras iranianas; retomada das agressões na última semana deixou pelo menos 30 mortos e 260 feridos
Os ataques militares entre Estados Unidos e Irã continuam nesta quarta-feira (15/07), com novos bombardeios norte-americanos contra o sul do território iraniano e ataques retaliatórios da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) contra instalações militares dos Estados Unidos nos países do Oriente Médio.
Nesta manhã, a IRGC anunciou a sexta fase da Operação Nasr-2 e afirmou ter destruído hangares que abrigavam caças F-15, F-16 e F-35 dos Estados Unidos, além de eliminar diversos drones estratégicos MQ-9 na Base Aérea de Al-Azraq, na Jordânia.
A Guarda Revolucionária também afirmou ter atacado instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e Kuwait. Segundo o grupo, foram destruídos o centro de comando, instalações de apoio e tanques de combustível da Quinta Frota americana no Bahrein.
No Kuwait, as forças iranianas incendiaram e destruíram o KJL, principal centro logístico das Forças Armadas dos Estados Unidos no oeste da Ásia, afirma o comunicado.
As Guarda Revolucionária do Irã reiterou que o Estreito de Ormuz permanecerá bloqueado “até o fim das atrocidades americanas”, advertindo que poderá atacar rotas de exportação de petróleo e gás utilizadas pelos Estados Unidos e seus aliados caso o conflito continue.

Irã ataca bases norte-americanas na Jordânia, Bahrein e Kuwait após bombardeios no sul do país
Tasnim
Apelo iraniano
Em comunicado para o povo da Jordânia, a Guarda Revolucionária do Irã afirma que o ataque foi realizado em resposta à “renovada agressão militar dos Estados Unidos contra o Irã”. O texto descreve o país como “uma terra sagrada ligada aos profetas”, afirmando que o país “não deveria abrigar ocupantes e criminosos internacionais” e pedindo aos jordanianos que não permitam que “essa terra sagrada se torne o ponto de partida para ataques contra países islâmicos”.
As Forças Armadas da Jordânia informaram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram três mísseis balísticos iranianos que entraram no espaço aéreo do país durante a madrugada. O governo jordaniano declarou que rejeita “qualquer violação da soberania do Reino ou o uso de seu espaço aéreo para ameaçar a segurança e a estabilidade da Jordânia”. Não houve vítimas nem danos materiais.
A IRGC também emitiu um comunicado ao “estimado e generoso povo do Kuwait“, conclamando os kuwaitianos a “libertarem as terras islâmicas das bases dos ocupantes americanos”.
Em comunicado, o secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Jasem Albudaiwi, condenou os ataques iranianos. Segundo ele, “os ataques traiçoeiros do Irã contra o Bahrein, o Kuwait e a Jordânia revelam a determinação do Irã em arrastar a região para um caos e instabilidade ainda maiores”.
“Seus ataques contra infraestrutura representam uma escalada perigosa sobre a qual a comunidade internacional não pode permanecer em silêncio”, acrescentou.
Ataques dos EUA
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que os ataques começaram às 6h da manhã (horário da costa leste americana) nesta quarta-feira (15/07) e tiveram como objetivo “degradar ainda mais as capacidades militares que as forças iranianas têm usado para atacar navios mercantes no Estreito de Ormuz”.
Segundo os militares norte-americanos, a operação atingiu “dezenas de alvos militares perto do Estreito de Ormuz e em áreas costeiras iranianas”. Eles destacam que as forças norte-americanas “retomaram o bloqueio naval contra embarcações em trânsito para ou a partir de portos e áreas costeiras iranianas”.
Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os bombardeios continuarão, ameaçando ordenar ataques contra usinas de energia e pontes, caso Teerã não aceite um acordo.
Bombardeios foram relatados nas ilhas de Qeshm e Hengam, perto do Estreito de Ormuz, na cidade portuária de Bandar Abbas e em Sirik, Ahvaz e Bushehr.
Em Bushehr, o governador Mohammad Mozafari informou que projéteis norte-americanos atingiram quatro locais da cidade. O Exército iraniano também informou que um ataque com 13 mísseis disparados pelos Estados Unidos contra a guarnição de Bampour, em Iranshahr, matou sete militares da 388ª Brigada e deixou vários outros feridos.
Os militares iranianos classificaram a ofensiva como uma “agressão covarde” e prometeram “uma resposta decisiva no momento oportuno”. Segundo o Exército iraniano, os mísseis atingiram uma casa de hóspedes, postos de guarda e alojamentos da base militar.
Vítimas civis
A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, confirmou que mais de 30 civis morreram nos bombardeios norte-americanos no sul do país. “Ao expressarmos nossas condolências e solidariedade às famílias enlutadas, honramos a memória dos falecidos”, escreveu ela na rede X. “O governo apoiará o povo com todas as suas forças. O sul do Irã é o coração pulsante desta terra”, acrescentou.
Já o porta-voz do Ministério da Saúde, Hossein Kermanpour, informou que mais de 260 pessoas ficaram feridas nos últimos ataques dos Estados Unidos, das quais 222 já receberam alta hospitalar. Segundo ele, três dos feridos têm menos de 18 anos.























