Irã ataca plataformas de mísseis no Kuwait em retaliação às agressões dos EUA
Escalada continua após ofensiva norte-americana contra cidades portuárias no sul do país; Teerã contradiz Trump e afirma que Estreito de Ormuz permanece fechado
A Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou ter atacado e destruído várias plataformas de lançamento de mísseis HIMARS dos Estados Unidos, que estavam preparadas para atacar o território iraniano, em uma base norte-americana no Kuwait, na noite deste domingo (12/07).
A onde de ataques dá sequência à retaliação da IRGC, que atingiu centros de apoio logístico e plataformas de reabastecimento de porta-aviões norte-americanos no porto de Duqm, em Omã; e instalações militares do Pentágono na Jordânia, Kuwait e Bahrein.
Os ataques iranianos foram uma resposta à terceira rodada de bombardeios dos Estados Unidos contra bases costeiras, torres de comunicação e cidades portuárias no sul do Irã. No domingo (12/07), Teerã informou que “entre 10 e 11 projéteis inimigos” atingiram a ilha de Qeshm.
Na madrugada desta segunda-feira (13/07), foi relatado um ataque norte-americano à infraestrutura de telecomunicações na cidade portuária de Sirik, juntamente com explosões na cidade costeira de Bandar Abbas e em outras áreas do sul do Irã. Explosões também foram relatadas na província de Bushehr, incluindo a cidade de Kangan. Este é o quarto ataque aéreo dos Estados Unidos desde a escalada na semana passada.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que mísseis balísticos iranianos atingiram a base aérea estratégica dos Estados Unidos, em Al Udeid, no Catar, destruindo o centro de manutenção e reparo de caças e o centro de comando e controle da base; um sistema de defesa aérea Patriot, um depósito de munições e um radar pertencentes às Forças Armadas dos EUA no Kuwait; e um sistema de comunicações militares e um radar pertencentes ao Pentágono no Bahrein.
As Forças Armadas iranianas também relataram ter destruído o centro de comando e controle e os hangares de drones MQ-9 na base aérea americana Príncipe Hassan, na Jordânia, com mísseis balísticos.
Escalada dos ataques
Em meio a um período de negociação de 60 dias, acordado após a assinatura do Memorando de Entendimento de Islamabad em 17 de junho, os ataques aéreos dos Estados Unidos contra o Irã, que começaram na terça-feira (07/07) e se intensificaram nesta semana, atingindo alvos militares e civis e deixando pelo menos 15 mortos e cerca de 80 feridos, afirmam autoridades iranianas.
Segundo relatos da imprensa, a rede elétrica do Irã sofreu graves danos devido aos ataques dos Estados Unidos nos últimos dias, com mais de 2.000 pontos afetados e uma perda de 4.200 megawatts na geração de energia, informou a empresa estatal de eletricidade.

Irã ataca bases norte-americanas após agressões no sul do país
Tasnim
Vários dias de ataques militares norte-americanos em todo o Irã marcaram as rodadas de bombardeios mais intensas desde que ambos os lados chegaram ao memorando, cuja implementação parece estar suspensa à medida que as hostilidades se intensificam. Dias atrás, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo estava encerrado e, em seguida, disse que as negociações continuariam, mas sem uma trégua nas agressões. Teerã também declarou o memorando nulo e sem efeito, após os ataques norte-americanos.
Em quase uma semana de ataques, caças e navios de guerra dos EUA atacaram centenas de alvos militares e civis. Autoridades iranianas relataram agressões em pelo menos dez províncias, principalmente no sul do Irã, perto do estratégico Estreito de Ormuz.
Paralelamente, ao início da escalada, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA revogou na terça-feira (07/07) as isenções temporárias sobre a venda de petróleo iraniano, retirando assim o alívio concedido a Teerã no âmbito do entendimento alcançado.
No domingo (12/07), a agência de notícias FARS observou que os ataques retaliatórios do dia contra instalações militares dos EUA no Bahrein, Jordânia, Catar, Kuwait e Omã enviam a mensagem de que “o Irã está pronto para intensificar o conflito”, enquanto o Iran Observer relatou que um dos ataques aéreos dos Estados Unidos atingiu um prédio perto da instalação nuclear de Bushehr, alvo da ofensiva conjunta EUA-Israel entre 28 de fevereiro e 8 de abril.
Na quarta-feira (08/07), enquanto surgiam notícias de novos ataques ao sul do Irã, a nação persa denunciou os EUA por “violarem abertamente” o cessar-fogo e “desrespeitarem” o Memorando de Entendimento de Islamabad. O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã declarou que “qualquer fonte de apoio ao agressor militar, para violar a soberania e o território do Irã islâmico, será um alvo legítimo para as Forças Armadas”.
Estreito de Ormuz
Donald Trump disse à NBC News que o Estreito de Ormuz permanece aberto ao tráfego comercial, apesar do Irã ter anunciado seu fechamento no sábado à noite. “Na noite passada, bombardeamos o estreito com toda a força que tínhamos. Eles são pessoas muito, muito más e doentes”, disse o chefe da Casa Branca neste domingo.
Enquanto isso, o Comando Central (Centcom) afirmou que a passagem está aberta “a todas as embarcações” que desejam transitar legalmente. “O Irã não controla o estreito. O tráfego está fluindo”, publicou o Centcom, no Facebook.
As alegações aumentaram a incerteza em torno da rota marítima estratégica, cujo tráfego começou a se recuperar gradualmente nos dias seguintes à assinatura do Memorando de Islamabad, e contrastam com as declarações das autoridades iranianas e com a realidade no terreno.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) anunciou neste domingo (12/07) que, em decorrência dos recentes ataques dos EUA contra o Irã, a passagem pelo Estreito de Ormuz está impossibilitada. “Informamos a todos os estimados candidatos: devido aos recentes movimentos ilegais das forças militares dos Estados Unidos na região, a passagem pelo Estreito de Ormuz está atualmente impossibilitada”, disse a agência iraniana criada para gerenciar o trânsito pelo estreito.
A autoridade esclareceu que o tráfego marítimo permanecerá suspenso até que a estabilidade e a calma sejam restabelecidas na área. “Assim que a estabilidade e a calma forem restabelecidas, todos os pedidos serão analisados de acordo com o cronograma e as autorizações necessárias serão emitidas”, enfatizou, especificando que o único canal legítimo para obtenção de autorizações de trânsito é o seu site oficial. As empresas de navegação foram recomendadas a acompanhar o perfil da agência nas redes sociais, para atualizações em tempo real.
Na quarta-feira (08/07), o Quartel-General Central em Khatam al-Anbiya reiterou que a única rota segura para navios comerciais e petroleiros no Estreito de Ormuz é a rota designada pelo Irã, e que Teerã não permitirá qualquer interferência na gestão do estreito.
Em comunicado divulgado no dia seguinte (09/7), a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) alertou que as tentativas dos EUA de estabelecer rotas marítimas independentes e escoltar navios no Estreito de Ormuz irão prejudicar os acordos de segurança regionais. “Mais uma vez, declaramos que estrangeiros não têm lugar nesta terra nem no Estreito de Ormuz”, advertiu.
O alerta surgiu após tentativas dos Estados Unidos de estabelecer uma rota marítima alternativa pela parte sul do Estreito de Ormuz e escoltar navios independentemente dos acordos de segurança do Irã.
Relatórios de consultorias e serviços especializados, como a Kpler e a Lloyd’s List, indicam uma diminuição no número de navios que transitam pelo estreito. O site hormuzstraitmonitor informa que, desde o fechamento no sábado, apenas 12 navios cruzaram o estreito em 24 horas, em comparação com uma média de 68 em condições normais.
Violação do acordo
O Irã denunciou os ataques dos Estados Unidos como uma violação do memorando, especificamente a cláusula 1, que estipulava a cessação das operações militares em todas as frentes, e afirmou que a revogação das isenções à venda de petróleo iraniano ignora o que foi acordado.
Com relação à gestão do Estreito de Ormuz, o memorando previa um mecanismo de gestão conjunta entre o Irã e Omã, os estados costeiros, para a manutenção da segurança e a regulamentação da navegação nessa rota marítima.
Os ataques dos Estados Unidos em solo iraniano e os ataques retaliatórios do Irã contra bases militares norte-americanas em outros países do Oriente Médio, as declarações de vários desses países alertando que se reservam o direito de responder e as constantes declarações de Israel a favor da retomada das hostilidades aumentaram os temores de um retorno à guerra.
O Paquistão, mediador do conflito, apelou à moderação e ao retorno ao diálogo, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, expressou a sua “profunda preocupação” e afirmou que os ataques “devem cessar completamente”. Já o Papa Leão 14 alertou para os “ventos da guerra” que estão “semeando violência, terror e morte”, renovando sua esperança “de que perseveremos no caminho do diálogo, do encontro e da diplomacia” como “único caminho capaz de conduzir a uma paz justa e duradoura”.























